RevisTTa
(Momentos Etermos)
Beethoven e Nona Sinfonia
 
Edição TTNeves - Arte Rivkah  
Novembro 2006
 
Nona Sinfonia
José Carlos Ary dos Santos - 1978

É por dentro de um homem que se ouve
o tom mais alto que tiver a vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.

Num Palácio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que são ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.

para o alto se voltam as volutas
hieráticas sagradas impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.

Mas de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas
Por deus não basta. É mais preciso o Homem.

José Carlos Ary dos Santos - 1978

Nona Sinfonia.
Uma Sinfonia com sonhos de Liberdade.
 
Porque tudo é sonho!
Maria Petronilho

Brincar na areia, ao sol!
Correr, mergulhar e rir!
Escutar o secreto cantar
das sereias ao sol-pôr...
Gritar para o vento
Poemas de amor!
Fazer uma fogueira,
Escutar as estrelas
Com a lua dançar
e
Recordar vidas passadas:
A minha e a tua... suponho,
que há tanto a dizer...
Porque tudo é sonho!

 
Wilhelm Richard Wagner (1813-1883), um dos mais importantes compositores alemães, acreditava que depois de sua obra a música nunca mais seria a mesma. Esse mesmo Wagner enxergava a 9ª de Beethoven como a sinfonia das sinfonias. Se Wagner estava com a razão é assunto para os críticos. O certo é que a 9ª Sinfonia não ficaria de fora de nenhuma lista
em que constassem as maiores obras da história da música.

SONHO INACABADO
Míriam Torres


Na janela sou sua flor a esperar
No coração a saudade a apertar
No rosto as lágrimas a rolar
No peito uma dor a sufocar
Em meu corpo a necessidade de amar

Em meus passos sinto a falta de você
Meus olhos procuram
Mas não acreditam que não vêem
Sentem seu cheiro
Sentem sua presença

Nos meus devaneios
Está ao meu lado
É minha crença

É você que amo
Em você que acredito
Mas quando acordo desse sonho
Tenho a impressão de que não existe
"É UM MITO..."
 
 
A Nona Sinfonia

Retirado para um lugarejo próximo a Viena chamado Heiligestadt, onde morava já há alguns anos (foi lá que Beethoven, num momento de depressão, redigiu seu testamento em 1802), Beethoven concluiu a sua obra-prima em fevereiro de 1824. A IX Sinfonia revelou-se extraordinária. Dotara-a de uma tal retumbância heróica que só ele até então conseguira dar à música alemã. O público, desde a primeira audiência, ocorrida no Kärntnertor Theatre de Viena em 7 de maio de 1824, maravilhou-se O passado, o tumulto revolucionário, aflora em vários momentos ao longo da execução, mas sua beleza deve-se ao seu carisma. É uma apologia aos tempos futuros, à morada do Elísio, ao devir,
quando então seremos um mundo só.
 
Sonhos de Criança
Aisha
 
A vela, quando acesa,
derrete e desenha
um lindo céu azul de parafina...
 
 
 O céu acende com o sol,
que em risos incandescentes,
aquece a vida
- em noite -
da gente.
 
 
 E a chama na vela cresce
derretendo ainda mais a parafina,
desenhando o olhar do menino
no coração vivo da menina.
 
 
Ardendo em paixão a menina descalça,
no céu do meu peito calça seus sonhos,
nas nuvens em saudades do céu de outono.

 
E acende as luas,
- lá na rua -
penduradas em hastes de concretos
- de vidro são feitas as luas -
no céu de parafina, desconexo...
 
 
 E a menina,
um tanto gente, outro tanto parafina,
desenha seus sonhos de criança
nesse imenso jardim da vida.
 
O Hino da Humanidade

Apesar da obra ter sido dedicada ao rei Frederico Guilherme III da Prússia, que como todos os monarcas da sua época era hostil aos ideais de liberdade, a obra-prima de Beethoven apresenta o paradoxo de ser entendida como um hino da emancipação do mundo europeu dos tempos feudais, liberto da tirania e das cargas da servidão. A alegria, pois, que a IX Sinfonia exalta não se perdera num tempo remoto, numa Arcádia sem volta. Ao contrário, a alegria, a felicidade, estão ao nosso alcance logo ali em frente, bastando que superemos as nossas estreitezas culturais e a mediocridade política que nos cerca. Entende-se porque a atual União Européia (hoje maioritariamente republicana e democrática), escolheu a IX Sinfonia como o seu hino oficial. Mesmo com os percalços que iremos sofrer aqui e ali para chegarmos ao governo universal no século XXI, a IXª Sinfonia continuará sendo o maravilhoso fundo musical para que as Filhas do Elísio sintam-se estimuladas a estender seus braços fraternos enlaçando a humanidade inteira.
 
SONHOS PERDIDOS
Jorge Humberto

Sonhos perdidos, esperanças vãs,

São como poemas em fundos de escada...

Árvores lânguidas, inermes das manhãs,

Quase papel ou quase a espada.

 
Meus lábios secos de coisas sãs,

Têm um leve sabor a quase nada...

E são meus olhos, os cabelos cãs,

O último suspiro na madrugada.


Minhas palavras de Outono...

Minha pena de coisa alguma...

Como um frio de abandono...
 

Sonhos perdidos e vãs esperanças,

Poema ofendido, e coisa nenhuma...

Talvez o cheiro de tuas tranças.

A Ode à Alegria (Schiller) Versão para o Inglês
O Freunde, nicht diese Toene!
Sondern lasst uns angenehmere anstimmen und freundenvollere!
Freude,schoener goetterfunken,
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische dein Heiligtum.
Deine Zauber binden wieder,
Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brueder,
Wo dein sanfter Fluegel weilt.
Wem der grosse Wurf gelungen,
Eines Freundes Freund zu sein,
Wer ein holdes Weib errungen,
Mische seine Jubel ein!
Ja - wer auch nur eine Seele
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Und wer's nie gekonnt, der stehle
Weinend sich aus diesem Bund!

Freude trinken alle Wesen
An den Bruesten der Natur,
Alle Guten, alle Boesen
Folgen ihre Rosenspur.
Kuesse gab sie uns und Reben,
Einen Freund, geprueft im Tod,
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Und der Cherub steht vor Gott.
Froh, wie seine Sonnen fliegen
Durch das Himmels praecht'gen Plan,
Laufet, Brueder, eure Bahn,
Freudig wie ein Held zum Siegen.
Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuss der ganzen Welt!
Brueder - ueberm Sternenzelt
Muss ein lieber Vater wohnen.
Ihr stuerzt nieder, Millionen?
Ahnest du den Schoepfer, Welt?
Such ihn ueberm Sternenzelt,
Ueber Sternen muss er wohnen.
O friends! Not these sounds! But let us strike up more pleasant sounds and more joyful!
Joy, o wondrous spark divine,
Daughter of Elysium,
Drunk with fire now we enter,
Heavenly one, your holy shrine.
Your magic powers join again
What fashion strictly did divide;
Brotherhood unites all men
Where your gentle wing's spread wide.
The man who's been so fortunate
To become the friend of a friend,
The man who has won a fair woman -
To the rejoicing let him add his voice.
The man who calls but a single soul
Somewhere in the world his own!
And he who never managed this -
Let him steal forth from our throng!
Joy is drunk by every creature
From Nature's fair and charming breast;
Every being, good or evil,
Follows in her rosy steps.
Kisses she gave to us, and vines,
And one good friend, tried in death;
The serpent she endowed with base desire
And the cherub stands before God.
Gladly as His suns do fly
Through the heavens' splendid plan,
Run now, brothers, your own course,
Joyful like a conquering hero
Embrace each other now, you millions!
The kiss is for the whole wide world!
Brothers - over the starry firmament
A beloved Father must surely dwell.
Do you come crashing down, you millions?
Do you sense the Creators presence, world?
Seek Him above the starry firmament,
For above the stars he surely dwells.
Sonho num navio...
Calaf

"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar,
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar"

E o sonho cresceu no mar,
mergulhou na imensidão do azul
pássaro sem razão, ícaro de amor
viagem sem volta, tudo emoção

O navio se fêz ao mar,
para nas ilhas aportar
quimeras a realizar
vidas a buscar

Naufrágo da vida
busca o farol a sonhar
espera pela luz
que nem sempre está a brilhar

Hoje sonha, vive o amanhã
nas asas do ontem
que Morfeu faz brilhar

Sonha, sonha o poeta
E nos mares de amor
realiza a viagem
da vida que é eterna

Pois eterno é amar....
E o sonho é mar...

* As primeiras estrofes entre aspas são de Cecília Meireles.
Calaf
 
"Abracem-se milhões! Irmãos, além do céu estrelado deve morar um Pai Amado." - Schiller, An die Freude, 1786
 
Sonhando
D A Limonge

Lembro que falei “te amo” chorando
Até hoje não consegui te esquecer
Sei que algumas podem me querer
Mas, é você que eu quero me amando

Não sei se um dia vai voltar
Só sei que vivo daquele momento
É ele que me dá força para te esperar
Aquele instante tem sido o meu sustento

Se você falou que ia ser só minha
Me jurando o amor eterno que sentia
Eu estou aqui no parque te esperando

As árvores daqui já me conhecem
Olham-me como se já soubessem
Que só terei você de volta sonhando


"Consegui! Consegui! Enfim encontrei a Alegria!" Assim jubiloso, Beethoven acolheu em seus aposentos o seu secretário, um fa tutto chamado Schindler. Imediatamente sentou-se ao piano e dedilhou-lhe a façanha. Encontrara afinal a solução, busca há anos, que permitira-lhe musicar os difíceis versos da An die Freude (Ode a Alegria) de Schiller. Depois de 32 anos de hesitações, de idas e vindas, de prostrações, deu então por acabada a IX Sinfonia. Quando moço ainda em Bonn, Ludwig van Beethoven comoveu-se com o conteúdo do poema ao lê- lo em 1792, impressionando-se para sempre com a maravilhosa exaltação à fraternidade humana dos versos de Schiller.

Viços da vida..sonhos
Joe'A

O que torna exuberante sua vida
são seus sonhos,
adubam, irrigam suas esperanças
vicejando... motivando

Quem tem sonho, tem esperança
Quem tem esperança tem vida
Planos, projetos, metas ou objetivos
Desejos, devaneios, fantasias ou utopias

Cada dia com sua alvorada
cada sonho com seu valor
cada desejo com sua motivação
O coração a palpitar a cada realização

A busca com convicção
com Fé no coração
a busca por seus sonhos realizar
sem nunca perder a esperança

Qualquer que seja o sonho, lute,
seja emocional ou espiritual,
seja material ou social,
Se for de amor, a dois com paixão

O poeta compôs a Ode para que um amigo seu, um franco-mação, a cantasse com seus companheiros nas lojas da irmandade. Schiller, em apenas 18 belíssimas estrofes, celebrava os valores do iluminismo (o cosmopolitismo, a superação das desavenças nacionais, a pregação da tolerância, e a consciência de pertencer-se a um mundo só). Beethoven, na época um entusiasta republicano, embebido pelos ideais da Revolução Francesa de 1789, sentiu-se tentado em transformar o que lera em algo imorredouro.

 
OS SONHOS TAMBÉM ENVELHECEM
Jane Lagares

 
Os sonhos! Esses companheiros que movem a vida,
que vêm de mãos dadas à existência!
Sonhos que se realizam, sonhos possíveis,
impossíveis sonhos, fáceis e difíceis, alavanca de cada dia.
Sonhos dormidos, sonhos bem acordados.
Li em algum lugar que os " sonhos são o primeiros passos para as realizações".
Verdade, porque se realiza o que se pensa,
se pensa o que se sonha.
Engatinhamos em pensamento,
damos os primeiros passos, andamos rumo à vitória,
pelo menos deveria ser assim.
Estava pensando que os sonhos, assim como tudo, ficam velhos.
Feio isso, não é?
Sonhos velhos, velhos sonhos, que se cansaram de sonhar,
que enrugaram a cara, a esperança, a vontade.
Pergunto-me se os sonhos ficam velhos ou
se erramos nas projeções de realização.
Seguimos com tantos sonhos e,
vejo que alguns passam do sonho ao desafio a si mesmo.
Muitas vezes, quando se chega ao pé do sonho,
quando o temos nas mãos, não é mais importante,
 apenas vencemos um desafio, não alcançamos o sonho bonito,
digladiamos com a força de fazer, quer se queira ainda ou não.
A dialética da vida, essa pressa de mudar tudo,
faz as óticas mudarem também.
Muitas vezes não percebemos e continuamos a trilhar na mesma estrada,
como se as árvores que a enfeitam não fossem outras , a medida que se evolui...
Como se o tempo não passasse pela metamorfose de dia e noite,
de chuva e sol. Continuamos as mesmas velhas pessoas,
 com os mesmos sonhos. Os sonhos também envelhecem,
mas podem passar pela plástica da visão ampla e serem novos,
novos sonhos , com cara de menino,
com cara de vida, na nossa cara de vencedor...
Importante se faz, tirar o véu que cobre a jovialidade do sonho,
identificar sua velhice , vê-lo deitado e cansado de ser sonhado,
interromper o desafio, fazer renascer, melhor, moderno e possível...
 
Beethoven republicano

Como tantos outros artistas e filósofos alemães do seu tempo, como Kant, Hölderin, Hegel, Fichte e Schelling, ele inicialmente fascinara-se por Napoleão. Quando, porém, o general republicano coroou-se imperador em 1804, Beethoven desencantou-se. Num acesso de fúria rasgou
a dedicatória que lhe fizera na IV Sinfonia.

A metamorfose da revolução num opressivo império que passou a submeter quase todo o continente europeu, fez brotar em Beethoven sentimentos adversos. A gradativa inclinação dele pelo patriotismo alemão (a Alemanha fora ocupada por Napoleão até o levante de 1813) o conduziu a uma posição mais conciliadora para com os conservadores, o que o fez com que fosse vivamente aclamado pelos reis e altos dignitários quando compareceu para reger um espetacular concerto naquela grande festa da aristocracia e do absolutismo que foi o Congresso de Viena de 1814-5
 (o congresso que encerrou com o domínio napoleônico).

Sonhos
Sonia Pallone

"...Tem sonhos que a gente sonha
que o toque tem calor
a pele tem gosto
o abraço tem  comoção...
Hoje acordei assim
feito um barco
de velas arriadas
pelo temporal do sonho...
Com toda minha
impotente realidade
à deriva
E um desejo louco
de baixar âncoras
num fantástico
pedaço de mar
desaguado 
num  infinito qualquer..."

O artista-rei

Esta aproximação com os poderosos da época tinha outra razão de ser, não decorrente apenas da sua decepção política. Beethoven foi o primeiro dos grandes músicos europeus a ter consciência da sua importância social (é bom lembrar que na geração anterior, o extraordinário Mozart, depois de ter encerrado a função de músico solista no palácio, fazia as refeições junto ao restante da criadagem). O sucesso artístico e a retumbância internacional das suas composições, convenceu-o de que ele, Beethoven, também fazia parte de uma nobreza, a nobreza dos talentos, tão exaltada pela  Revolução de 1789 . O que Napoleão conseguira comandando o exército francês, ele alcançara com as sinfônicas e com a batuta de maestro.
 
Mulher Abstrata
Angela Bretas

Sou quem sou,  simplesmente mulher, não fujo, nem nego,
Corro risco, atropelo perigo, avanço o sinal, ignoro avisos,
Procuro viver, sem medo, sem pudor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos...

Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta na completa fissura. Sem frescuras!
Encontro prazer na forma completa, repleta, latente...
Meretriz sem pudor, mulher no ponto... uva madura!

Sou quadro abstrato, me entrego no ato 'a paixão que aflora.
Sou enigma permanente,  sem ponto final,  sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas.

Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências...]



"Eu também sou um rei", respondeu ele certa vez cheio de si a um soberano alemão. Deu-se a freqüentar os grandes como um seu igual e não como um servidor, como Haydin e Mozart o fizeram antes dele. O estipêndio que recebia dos aristocratas, sabe-se, nunca afogou o republicanismo de rapaz pobre, filho do mestre da capela de Bonn, que acreditava na fraternidade humana.
 
Tenho um sonho...
rivkahcohen

Tenho um sonho,
mas não versarei sobre ele..
Está muito distante
para que eu possa aludir.

Vejo-o
há anos tentando
ser, pelo menos, o preâmbulo
do que será no porvir,
mas batem com os ombros
e assim não o vejo fluir.

Eu?
Tenho!
Mas não falarei dele
porque tem um grande defeito.
Não gera
o que o mundo inteiro,
se verga
e daí a dificuldade
de o ver espargir.

Sim!
Mas abafado comigo.
E qual escultor
em pedra ou barro
que se preciso for,
morre,
mas não mostra seu trabalho
antes de terminado.

Sigo seus passos
em sentido contrário.
Nada falo,
apenas o guardo no coração
e na mente,
esperando que se espalhe,
que vire canção
de tanto que é verdade
e que seja para sempre!!


A 9ª Sinfonia, chamada A Coral por suas partes de coros, canta a Ode à Alegria do grande poeta alemão Schiller, exalta os logros que se colhem na Nona Esfera ou o Yesod da Cabala.
Não é coisa de expressar com palavras, senão de escutar com o coração
 e com uma mentalidade solar unificada.
E para complementar estas informações entregues pelo VM Samael Aun Weor, transcrevemos um trecho do livro Biomúsica, de Fernando Salazar Bañol, que explica sinteticamente a influência das sinfonias  beethovianas em nossas estruturas psicológicas.

Além das Estrelas
Guida Linhares


Além das estrelas eu quero ir

na imensidão do espaço viajar

Olhar a terra ao longe a sumir

sentir leveza ao me libertar

Além das estrelas eu quero seguir

e finalmente  encontrar

paz perdida do meu pobre sentir



No vácuo frio eu quero deixar

da solidão, toda a minha angustia

Além das estrelas, em sono vagar

no calor fustigante que alumia

Quero queimar as dores do amor

purgando os antigos pecados

da alma que sofre vazia.



Além das estrelas eu quero chegar

na luz derradeira emanada tocar .

A alma purificar

enfim me libertar

me renovar

para

finalmente

voltar a sonhar!

As 9 Sinfonias de Beethoven e seu Equivalente Psicológico

Ludwig van Beethoven, célebre compositor de música erudita, por seu talento extraordinário foi elevado a um dos expoentes máximos dessa arte. Nasceu em 17/12/1770
e morreu em 26/03/1827.
No esoterismo crístico-gnóstico, sabemos que esse grande ser é considerado como um grande hierarca das regiões musicais celestiais (Esfera de Vênus, Mundo Causal). Cada uma de suas sinfonias foi idealizada para agir nas estruturas psicológicas mais íntimas do ser humano, enaltecendo os valores intrínsecos superlativos do homem.

DOR QUE OPRIME
Glácia Daibert

Que vontade tenho de gritar....
... falar da dor que o meu peito sofre
sentimento  que se fere
pelas atrocidades que me fazem acordar

Num piscar de olhos enterrei
tudo aquilo que cativei
e que morreria antes de certificar
a infelicidade que ajudei a criar

Foram nove meses...
... além de quase 2 anos depois
de país a país e hospital a hospital
... quando achei que tivesse terminado
não calculei que seria mais atormentado

Hoje sepultei
alguém que tanto amei...
... na consciência nenhum peso ...
pois toda felicidade  tentei lhe dar
o que a infeliz nunca quis enxergar.

9.ª Sinfonia
O hino à humanidade

A 9º Sinfonia foi escrita de 1822 a 1824 e executada pela primeira vez em 7 de Maio de 1824. De todas as obras de Beethoven é a que tem a história mais longa e complexa (...)
Foi no segundo semestre de 1785 que Schiller, com vinte seis anos de idade,
escreveu a Ode à Alegria. (..)
 
SOLIDÃO
Ana Maria Marya


Sigo-te com imensa ternura,
Paralela, e resignada.
A cobrir o rosto, frágil, e machucada.
Não me podes ter em tua vida.
Deixaste-me  quando ainda primavera.
Grito-te, paixão.
 Escrevo teu nome nas areias da praia,
Desespero, limite da minha mão, verão.
Quero que me carregues,
Nos sonhos, não existe tempo.
Ausência, sede, fome, dor...
Sinto-me terra seca,
 A esperar os pingos da  chuva,
Como carícias de amor...
Vida sem vida, vida sem emoção.
Agora, apenas o tormento,
Musica ao vento, dor, sofrimento.
 Retorno impossível, caminho perdido.
Momentos que jamais voltarão.
Quisera te inflamar com carinho,
  Cores brilhantes, minha pele,
Na palma da tua mão.
Tua respiração, batidas do coração.
Dias vividos, decorridos, inverno.
Sofreguidão, absolvição.
Gotas de vida.
Apenas, solidão...

Segundo Ludwig Nohl, era do conhecimento público, na época de Schiller e de Beethoven, que o primeiro tinha escrito primitivamente uma Ode à Liberdade, e que depois, receando a censura, tinha substituído a palavra Freiheit (liberdade) pela palavra Freude (alegria). Seja qual for a veracidade desta tradição, é inegável que ela se tinha expandido muito na Alemanha de então e que Beethoven a conheceria. (...)
 
OUTRAS VIDAS...
Wilson de Oliveira Carvalho

Se outras vidas tivesse,

com certeza tentaria

evitar os mesmos erros,

para viver muito mais..



Estaria presente em

todos os por-do-sol,

vivenciaria o crepúsculo

de todas as manhãs.



Seria, em qualquer estágio,

um verdadeiro moleque,

ora brincando de esconde esconde,

ora disputando os torneios de pião.



Minhas pipas multicoloridas,

seriam amigas inseparáveis, quando

não estivessem em minhas mãos,

estariam deslizando pelos céus.



Os bolsos de minhas calças

estariam repletas de bolinhas de gude,

para a disputa entre outros meninos,

quando não, seriam munição para

o meu estilingue.



Depois, quando os filhos

chegassem, seria minha

obrigação ensiná-los

a serem moleques, seria como

deixar minha herança para cada um.



Uma coisa jamais esqueceria,

ensinar-lhes amar cada vez mais,

a ponto de se doarem e não

serem pedra de tropeço para ningém....


No princípio do Verão de 1822, (...) no meio de muitas hesitações, (Beethoven) decide concluir a 9ª Sinfonia em ré menor com os coros do Hino à Alegria. (...)
É de supor que, se Beethoven mudou de ideias em pleno trabalho e decidiu fazer da Sinfonia em ré menor uma sinfonia com coros foi porque tomou consciência de que o significado psicológico dos três primeiros trechos exigia que a obra terminasse com o Hino à Alegria. (...)
Entretanto, não é exactamente o texto da «Ode à Alegria» que então é cantado (...) Beethoven elimina do texto de Schiller todas as alusões políticas e sociais, (...), mas não podia proceder de outra maneira: a censura de Metternich teria proibido a obra se Beethoven não tivesse sido prudente. Pelo contrário, há supressões de natureza
 religiosa que a censura não explica. (...)
 
Mais Valia
Margaret Pelicano

Tecer um Conceito sobre algo ou alguém,
É julgamento!
Somos Todo Mundo e Ninguém,
Por isso, pre/conceito é pior!...só lamento!

Não se age assim, coisa indecorosa!
Se se conhece a pessoa ou não,
O Respeito...deve ser o maior,
é o que mais possa

Imagine no Preconceito,
Julgar sem conhecer
Isso não é direito,
É abuso de poder!

Tomara se consiga um dia
O  Preconceito evitar
Haverá mais luz à vida
E paz na Terra, nosso lar!

Em 1848, quando a revolução estala em Dresden e se combate violentamente nas ruas da cidade, Ricardo Wagner, que está do lado dos insurrectos, encontra defronte do edifício da ópera de Dresden, incendiado durante a luta, um combatente que lhe grita: «Herr Kapellmeister, foi a Alegria, bela centelha dos deuses, que o ateou!».

Enigma
Mercília Rodrigues



Há no enigma do amor, o indefinível,
que só quem decifra são amantes,
pois em instante irreversível,
equacionam a emoção de uns instantes...

 Mudas carícias num olhar,
toques indeléveis de promessa,
nuances de uma voz a nos falar,
no emudecido calor que nos aquece

Enigmático o amor, mas tão sensível !
Canções silentes no universo,
mar de crença tão paupável,
nos braços do enigma imerso !


“O primeiro grande músico tocado pelo espírito democrático”
Ludwig van Beethoven
Tudo já se escreveu sobre a arte de Beethoven, mas nunca é demais insistir no facto de que representa o apogeu da música clássica do século XVIII. Foi o primeiro a desviar a música do seu destino aristocrático ao dirigir-se fraternalmente a toda a humanidade

 
Poema Noturno
Gena Maria

É noite...
No céu como vaga-lumes a esvoaçar iluminando
a escuridão para as suas amadas estão as estrelas...!
Como são lindas... Olhe-as, admire-as!
Sinta como eu a beleza da natureza...
a beleza do amor que vem de tudo existente
nesta maravilha,que é o meu mundo noturno!
Ele nos faz sonhar, vibrar e muito mais...!
Porque tudo isso nos pertence, é só meu... É só teu...!
Tente alguém tirar essa ilusão tua, minha,
não poderá... Essas belezas: as estrelas,
a lua, a escuridão, tudo isso é meu enquanto eu o amar ...
e é seu também amor, porque me amas assim...!

Ludwig van Beethoven nasceu em Bona a 15 de Dezembro de 1770
e morreu em Viena a 26 Março de 1827.
Quando (...) perde o pai, tem vinte e dois anos: é o chefe da família, entregue a si mesmo ou, melhor, à protecção de amigos dedicados, entre os quais figuram a senhora von Breuning e o conde Waldstein. Encontra-se então em Viena, a fim de estudar com Haydn, que conhecera em Bona. Estes ensinamentos serão completados, dois anos mais tarde,
por Albrechtsberger e Salieri.
 
 Por inteiro
Beatriz por um triz*

Não queira dividir-me ao meio
ou escolher-me em partes.
Não sou apenas boca e seios
ou um sexo ocasional.
Sou mulher determinada
que na vida ousou ser ousada
e nunca se arrependeu.
Fiz minhas próprias escolhas
sem a influência de terceiros
nunca parti meus amigos ao meio
impondo-lhes a minha opinião.
Se me agradas teu jeito de ser
procuro estar a seu lado,
mas se me afasto
ou omito minha opinião,
é por respeitar o próximo,
sua escolha e decisão.
Cada qual é um ser inteiro
porém incapaz de julgar,
pois diferentes são os erros
mas todos fomos feitos para errar.


Nesta época, Beethoven é elegante, mundano, faz a corte às raparigas no Prater. Graças às cartas de apresentação do conde Waldstein, é recebido pela alta sociedade vienense, que o aprecia como compositor e pianista; é um improvisador notável que, já em 1787, espantava Mozart.

Apesar do insucesso de Fidelio, em 1805, numa Viena em crise onde Napoleão acabara de se instalar, apesar do êxito medíocre do concerto onde foram apresentadas, em primeira audição, a 5ª e a 6ª Sinfonias e o Concerto para Piano nº 4 (compreende-se o espanto de um público pouco «moderno» perante tanta novidade), Beethoven tornava-se o músico mais célebre da Europa.
A sua vida sentimental foi, certamente, menos feliz do que a profissional,
 mas é difícil tirar conclusões (...).
 
Veredas
Águida Hettwer

Estilhaços e insólito sentimento, nas veredas de meu ser,

Interroga-me a alma em esplêndida avidez.

Num momento de ternura, exprimir a realidade
o toque mágico de corações enamorados.

Gota de orvalho caindo ao chão sob a luz de uma noite enluarada,
pensamento vaga distante, vivenciar sonhos, requer alma despida.

Tecendo idílio poema, mergulhei no teu abrigo na hora derradeira,
desatando as amarras do passado, na dimensão do encanto.

 Em longo caminho sinuoso, as palavras se perdem desfeitas pelo forte vento,

Através de prismas coloridos, resgatam sentimentos, rasgam teias de ilusões.

Refletem a emoção no olhar, espelhos da alma, na mesma sintonia,
de dois corações translúcidos, prontos para amar, sem entremeios.

Aflorando a eterna doçura, impregna na mente o perfume de raro efeito,

A alma em flor revida, espargir pelo ar em gotículas seduz
 e embriaga em tamanha intensidade sob névoa que se esfuma ao longe.

Nos encantos do amor, deleito-me, nas veredas do sonho embalo minh ´alma
.

O verdadeiro grande drama da sua vida - e de facto dramático - foi, incontestavelmente, a surdez, cujos primeiros sintomas se fizeram sentir desde 1798-1799, e que provoca o grito de desespero do Testamento de Heiligenstadt (...) Beethoven ultrapassara a depressão desse ano de 1802: entre 1804 e 1808 compõe não apenas a 5ª Sinfonia e a Sonata Appasionata,
mas também o Concerto de Violino e a 6ª Sinfonia.
À tragédia do silêncio exterior que o oprime e humilha, vêm juntar-se, a partir de 1815, os intermináveis aborrecimentos que lhe causa a tutela de seu sobrinho Karl. No entanto, é então que começa a época de composição das maiores obras. A sua fama é universal: recebe a visita de Rossini, de Schubert, de Weber e do jovem Liszt, então com onze anos. Mas não os compreende: independente, orgulhoso, misantropo, cria voluntariamente o vazio à sua volta, proclama agressivamente os direitos do seu génio e refugia-se na sua arte. A Missa Solemnis e a 9ª Sinfonia obtêm, em 1824, um êxito que deixa indiferente este homem superior. (...)
A partir de 1825, está sempre doente (reumatismo, dores de estômago, icterícia crónica); morre na tarde de 26 de Março de 1827, de cirrose hepática. (...)
 
VÔO SOLITÁRIO
Anna Peralva


Amor,

Mistério que inebria

Quando freme o mesmo calor,

Vendaval que a tudo arrasa

Quando finda a fantasia...

Solidão...

Torpor...

A suave aragem do anoitecer

consome gota a gota,

o pranto.

Intangível ao espelho

A dor refletida  n'alma,

Num vôo solitário

Incógnita,

Oculta e

Absoluta

Esconde em seu recanto mais ínfimo

A veste argentada da ilusão.

Pensamentos dispersos

Em névoas densas.

Lembranças imersas

No lamento da solidão.

Sonhos inertes, sem vestes,

Perdidos na escuridão.

Mar à dentro,

Adentro

E em silêncio

Observo os sentimentos,

Em seu bailado ondulante

Interagindo com as ondas

E navegando além do horizonte,

Ao sabor das marés...

Tudo já se escreveu sobre a arte de Beethoven, mas nunca é demais insistir no facto de que representa o apogeu da música clássica do século XVIII. Engrandeceu as formas e aperfeiçoou-as ao ponto de as tomar quase definitivas, mas, sobretudo, foi o primeiro a desviar a música do seu destino aristocrático ao dirigir-se, para além do público de um espectáculo, fraternalmente a toda a humanidade. Foi o primeiro grande músico a ser tocado pelo espírito liberal e democrático do seu tempo. (...)
 
UMA LOUCURA!
José Geraldo Martinez



Comete uma loucura na vida...
Nem que seja uma única!
Despe-te da lucidez comum,
veste-te, da insanidade, a túnica!

Corre para uma paixão eventual...
Sai de casa sem nada falar!
Pega uma estrada onde mostre
o sol...
Imagina que ele está a te esperar...

Não dês notícias,
desliga o celular!
Sente do vento o beijo,
cobre-te do azul do mar...

Acaricia tua alma,
na palavra com outro alguém!
Num papo descompromissado,
numa viagem de trem...

Escuta as histórias que não
sejam as tuas!
As dores ocultas, nas pessoas
pelas ruas...

Pede carona sem mochilas,
não sigas certo itinerário...
Estampa um sorriso no rosto,
nos quilômetros centenários!

Olha as paisagens,
que se desdobram nas lombadas...
O verde infinito sobre as serras,
as casinhas abandonadas!

Os rios entre pontes,
o luar entre os montes...
As cidades iluminadas!
O vento que margeia a longa estrada...

Faze uma loucura pelos menos,
seja dela, tua cúmplice!
A vida passa e não a vemos...
Faze e não te culpes!

Não te arrependerás!
Despe-te da lucidez comum...
Amanhã?
Poderás ter partido!

Não te arrependerás!
Um loucura sequer,
a maior que possas...
ter vivido!


O hino europeu
O hino europeu não é apenas o hino da União Europeia, mas de toda a Europa num sentido mais lato. A música é extraída da 9ª Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, composta em 1823.
No último andamento desta sinfonia, Beethoven pôs em música a "Ode à Alegria", que Friedrich von Schiller escreveu em 1785. O poema exprime a visão idealista de Schiller, que era partilhada por Beethoven, em que a humanidade se une pela fraternidade.
 
Pégaso
by Cel
 
Sou cavalo alado, cansado,
perdi minhas asas, já não consigo voar,
tento mergulhar em meus sonhos,
meu sub-mundo sem nuvens
já não consigo sonhar ...
Caminho entre nuvens vazias,
que no frio, perderam sua cor, oh dor
já não sou motivo de sonhos,
cavalgo em terra sem nuvens
já não conheço o amor ...
Meu trote está cansado,
meu corpo não encontra abrigo
não me aqueço no frio, sinto arrepios
tropeço, não sei caminhar,
 só aprendi a voar  ...
Voar entre nuvens azuis,
me aquecer com os raios do sol
e voltar a sonhar ...

Em 1972, o Conselho da Europa (organismo que concebeu também a bandeira europeia) adoptou o "Hino à Alegria" de Beethoven para hino. Solicitou?se ao célebre maestro Herbert Von Karajan que compusesse três arranjos instrumentais - para piano, para instrumentos de sopro e para orquestra. Sem palavras, na linguagem universal da música, o hino exprime os ideais de liberdade, paz e solidariedade que constituem o estandarte da Europa.
Em 1985, foi adoptado pelos chefes de Estado e de Governo da UE como hino oficial da União Europeia. Não se pretende que substitua os hinos nacionais dos Estados?Membros, mas sim que celebre os valores por todos partilhados de unidade e diversidade.
 
 
Hoje parto com as sinfonias...
Maria Thereza Neves
 
 silenciosos papeis
 marcas de livros , cartas atadas com fitas
lacrando todos os meus segredos
que não sopram rumores ou deixam voar letras
 plumas que tocam vidraças das janelas
mesmo nas escadas das mil sacadas
as portas estão trancadas ...
 
as folhas traçam
enlaçam pensamentos
desenham vidas ,perfumes , afagos
registram emoções
e no coração-porão não deixam um clarão ...

 hoje parto com as sinfonias
entre o cantar dos pássaros
 nuvens na manhã cinza de nevoeiros
sem deixar rastros
ou pegadas do meu viver
rasgando minha simples história
fechando cortinas das flores que murcharam
 das perturbantes primeiras chuvas que senti sobre o meu corpo
das lágrimas de outono
ou restos do suor de sentimentos perdidos
sem qualquer sentido ...

Pesquisas nos sites:
http://www.caminhosdeluz.org/A-287.htm
http://europa.eu/abc/symbols/anthem/index_pt.htm
http://www.diarioweb.com.br/eventos/corpo_noticia.asp?idGrupo=7&idCategoria=42&idNoticia=75249
http://www.pcp.pt/avante/20010816/446s1.html
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=1568&op=all
http://www.pcp.pt/actpol/temas/f-avante/festa2001/artistas/sinfonia-beethoven.html

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/beethoven.htm

Beethoven- 9ª -odea alegria.wav

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