RevisTTa

(MOMENTOS ETERNOS)

  Butterfly e Puccini

Edição TTNeves - Arte Rivkah

Madame Butterfly

 O momento é tão longo
 a fragilidade tão grande
entre o abrir e fechar das cortinas!
 
Sonhos descansam na clareira do verde
onde mente a grama e os jardins.
 
O amor agoniza lágrimas de sangue em Puccini.
As peles se entregam
sem jamais perguntar, questionar:
 
Diga, quem você é ,me diga
me fale sobre a sua estrada
me conte sobre a sua vida .
 
Como saber da dor se a alma soluça
a palavra, o canto engasga
não encontra outro lugar para morar
quando a saudade troca olhares
com luas e mares ?
 
Leva-me! Leva-me daqui !
 
 A  desiludida ilusão
 desfila no drama
onde o amor e a morte se chocam.
 
 
A faca é lâmina que lava a honra
com honra morre,
quem não pode levar a vida com honra
na colina em Nagasaki.

Maria Thereza Neves
 
Se faz necessário
 
O grito se faz necessário
quando a dor já transbordou,
fez-se lágrima,
mas
 com o coração em farrapo,
  vê-se que não amainou..
Já passou por isso?
Nem queira passar!
É ver-se aturdido
onde o único som ouvido,
está a nos arrebentar.
É muito doído,
mas vem nos ensinar
que tudo por nós sofrido,
não ecoará em outro lugar.
Pelo contrário,
faz barulho, irrita
e não se quer escutar.
Se o que
 pelo Meu Pai
 foi dito
não se pára para pensar,
avalie um grito?
Meu povo
que é antigo,
acostumado a caminhar
entre mortos e feridos,
teve motivo demais para gritar
e por acaso foi ouvido?
Não..
existia um esquema montado,
muito bem engendrado
deixando uma nuvem escura no ar..
Não foram cinqüenta,
 foram milhões
e o mundo não ouviu ecoar.
Portanto, meu amigo,
vê se teu coração agüenta,
porque infelizmente
 essa dor é só tua
e poucos contigo
 irão chorar..
rivkahcohen
 
POETAS
Mercília Rodrigues/Sonia Pallone/Margaret Pelicano/Milamarian/Saji Pokeo/BellVil/Wilson de Oliveira Carvalho/Tarcísio Zacarias dos Santos/Regina Bertoccelli/Sávio Assad/Delasnieve Daspet /Solange Castilho/Zena Maciel/Jorge Linhaça/Ana Maria Brasiliense/Humberto Amancio/Lilian Maial/Helô Abreu/Uma Mulher Um Poema.
 
 
Sinfonia Universal
Mercília Rodrigues


 
No limite da criatura, o Criador !
Na arte da perfeição absoluta,
espalhou ao cosmo todo amor,
Maestro universal em sua batuta ...
Fez da infinitude a sinfonia
silenciosa, intensa, absoluta !
Doou-se em tudo na harmonia .
Acordes da orquestra tão imensa !
Intensa ...
Do silêncio fez-se o céu,
no céu a paz profunda,
nas profundezas o véu,
adornou do belo o mundo .
A perfeição do todo celestial
há de acordar os imortais
e na paz da harmonia universal, 
 cantará o homem a sinfonia
dos espaços siderais !

 
Madama Butterfly, ópera em três atos de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado no drama de David Belasco, o qual por sua vez se baseia numa história escrita pelo advogado americano John Luther Long. Estreou no teatro Scala de Milão a 17 de fevereiro de 1904.
 

Adeus, apenas...

Sonia Pallone

"...Naquela noite

meu coração se encheu

com a pior vontade de viver.

Mesmo assim,

a vida me arrepiava,

como um frio de inverno úmido...

Ao meu redor

apenas paisagens

da natureza silenciosa,

lenta, insistente...

E na hora de romper as correntes,

entre a indecisão de partir ou ficar,

a piedade na balança

era tão crua como um amor ruim...

Eu não tinha ao menos um

pedaço de ternura

chorando pela morte anunciada

daquele adeus...

Antes de ir definitivamente,

como se apagasse uma vela,

soprei a pequena flama

dos dias que ficariam para trás..."


Sinopse
O Japão era um país quase totalmente isolado do resto do mundo, até que por volta de 1870 um presidente americano mandou uma expedição de reconhecimento a Sua Majestade Imperial, cujo intuito era forjar laços de amizade com o Império do Sol Nascente. Nas décadas que se seguiram, vários oficiais da marinha americana visitaram o Japão e contraíram matrimônios temporários com jovens japonesas. A história de Cio-Cio-San (Butterfly, ou Borboleta), portanto, se baseia em fatos reais, e descreve as trágicas consequências de um desses matrimônios contraídos com leviandade.

EMOÇÃO

Margaret Pelicano
 
Emoção é movimento
que transita pra lá e pra cá
está impressa na testa
de ser es vivos, daqui ou acolá!
 
Emoção migra do amor para o ódio,
Da felicidade para a angústia,
Está entre o ciúme e a inveja,
entre a euforia e o tédio,
procura entre os sentimentos remédio,
para as disfunções sem cura!
Se num instante impera a ira,
noutro a paz circunda,
emoção inunda
a alma aflita!
 
Se num momento há vergonha,
 no outro a surpresa gera
o susto, o medo ou a guerra...
Emoção...quando emperra
deixa faces coradas,
olhos arregalados
transita no ser humano,
desde a concepção
até seu último itinerário...
 
Se aparece como pânico,
após instantes pode ser a gargalhada...
Que seria do ser humano,
sem a emoção da resignação?
Haveria um belo atrapalho!
 
Portanto,
crianças, jovens e velhos:
façamos da emoção uma colcha de retalhos:
cada pedacinho de tristeza,
 contrasta com a beleza da alegria;
cada sensação de remorso
 deve trazer a aproximação do perdão;
cada vitória na vida,
o sentimento da euforia...
 
 Emoção acaba sendo
um complexo de sinestesia;
tão completo é o homem,
que Deus em sua sabedoria,
colocou no cérebro e coração
a bendita emoção,
 junção maior de sua criação!

 
Personagens
Cio-Cio-San (Butterfly), uma gueixa - soprano
Suzuki, aia de Butterfly - mezzo-soprano
B.F. Pinkerton, Lugar-tenente da Marinha dos Estados - tenor
Sharpless, Cônsul dos Estados Unidos em Nagasaki - barítono
Goro, nakodo (agente imobiliário e matrimonial) - tenor
Príncipe Yamadori, pretendente à mão de Cio-Cio-San - barítono
Um bonzo (monge budista), tio de Cio-Cio-San - baixo
Comissário Imperial - baixo
Um notário - barítono
Kate Pinkerton, esposa americana de Pinkerton - mezzo-soprano
A história se passa em Nagasaki, Japão, por volta de 1900.

 
Por amor
Milamarian


Entrego-te em devoção este relicário
 e todos os segredos preservados
dos dourados sinos do campanário
os badalos bronzeados em tons alternados.

Dedico-te com veneração o meu orquidário
 e com ele todos os sentimentos sagrados
as emoções despertadas neste santuário
 nos abertos sulcos por teu amor irrigados.

De meus olhos a extrema lágrima a sorrir
dos meus lábios o último canto de amor
a derradeira gota de orvalho a me sucumbir.

E da essência que acaso ainda restar
será em teu cálido solo o padecer deste vigor
 e de minha alma, tua, a última seiva a sangrar.

Ato I
Benjamin Franklin Pinkerton, oficial da marinha dos Estados Unidos em Nagasaki, acaba de fazer um excelente negócio: comprou não somente uma casa na colina, com vista para o mar e o porto de Nagasaki, mas também leva de brinde uma gueixa, Cio-Cio-San, garota de apenas quinze anos de idade, que irá morar com ele na casa. Goro, o agente imobiliário e matrimonial, mostra a Pinkerton sua nova casa, quando chegam Suzuki, sua nova serva, aia de Butterfly, e Sharpless, cônsul dos Estados Unidos em Nagasaki. Pinkerton oferece um uísque ao amigo, e explica a ele o negócio que acaba de fazer. Sharpless o adverte, porém, de que seria um grande pecado machucar os sentimentos da garota, que parece acreditar na seriedade desse casamento e está perdidamente apaixonada por ele. Pinkerton, numa atitude racista, ergue um brinde ao dia em que se casará de verdade com uma esposa americana. Chega Butterfly com suas amigas, que cantam um hino à beleza da paisagem e à ternura das garotas do Japão, enquanto Cio-Cio-San canta seu amor por Pinkerton. Chegam convidados, os parentes todos de Butterfly, com exceção do tio, um monge budista que se opõe a esse casamento. Butterfly, porém, confessa que visitou a missão americana em Nagasaki e se converteu à religião de Pinkerton - prova da sinceridade dos seus sentimentos. A cerimônia de casamento de Butterfly e Pinkerton é interrompida pela chegada do tio bonzo, que ficou sabendo que Butterfly havia renunciado à fé dos seus antepassados, e lança uma maldição contra ela. Butterfly chora, mas é consolada pelo marido. Os convidados se retiram, e Butterfly e Pinkerton estão finalmente a sós. A noite cai. Segue-se um dueto de amor entre ambos.
 
silêncio profundo
Saji Pokeo

Em um simples objeto,
Numa cor ou fragrância
Seja abstrato ou concreto
Lembram tempos da infância!

Volta, como num encanto,
Como uma visão repentina
Ecoa nos ares como um canto
Suave e doce como menina!

Tristeza e quietude se faz agora
Porque não há nada neste mundo
Que apague os tempos de outrora!

Nada mais tétrico e moribundo
Palpitante, que no corpo se aflora
O mórbido som do silêncio profundo!

Ato II
Pinkerton regressou aos Estados Unidos; prometeu, porém, que voltaria "quando os pintarroxos fizerem os seus ninhos." Já se passaram três anos. Butterfly chora, e Suzuki reza o tempo inteiro, ajoelhada diante da imagem do Buda. Suzuki diz a Butterfly que suspeita que seu marido não voltará mais. "Cala a boca, ou te mato!", responde Butterfly. Ela chora, mas não perde a esperança: Un bel dì vedremo - um belo dia veremos um fio de fumaça no horizonte - o navio de Pinkerton! Chega Sharpless, que traz uma carta de Pinkerton para Butterfly, cujo objetivo é prepará-la para o golpe que ela vai receber, ao saber que ele se casou com uma americana. Butterfly lhe pergunta quando fazem seus ninhos na América os pintarroxos. "Não sei," responde Sharpless, "nunca estudei ornitologia." Logo após chega Goro, trazendo um novo candidato à mão de Butterfly: o Príncipe Yamadori, homem rico e perdidamente apaixonado por Butterfly. Butterfly o repele com zombarias, reafirma que está casada com Pinkerton, e manda o príncipe e o insolente nakodo embora de sua casa. Sharpless começa a ler a carta, mas não consegue terminar a leitura, porque Butterfly o interrompe o tempo todo com manifestações de carinho e fidelidade ao marido, e ele também não tem coragem de revelar-lhe a rude verdade. Num gesto brusco, ele fecha a carta, a põe de volta no bolso, e pergunta a ela o que ela faria se ele não voltasse. Voltaria a ser gueixa, responde Butterfly; ou, melhor ainda - "me mataria." Sharpless pede a ela que pare de alimentar ilusões e aceite a proposta do rico Yamadori. Sentindo-se ultrajada, Butterfly mostra a ele o filho que ela teve com Pinkerton, cuja existência tanto o cônsul como Pinkerton ignoravam. Sharpless promete escrever a Pinkerton para revelar a ele a existência desse seu filho, e se retira. Lá fora, Suzuki golpeia Goro, acusando-o de espalhar calúnias a respeito do filho de Butterfly, dizendo que ninguém sabe quem é o pai do garoto. Ouve-se um tiro de canhão vindo do porto. Uma nave de guerra! Butterfly olha com seus binóculos e lê o nome do navio: é o Abraham Lincoln, o navio de Pinkerton. Suzuki e Butterfly decoram a casa com flores primaveris, para aguardar a chegada de Pinkerton (Scuoti quella fronda di ciliegio, o famoso Dueto das Flores). Sem poder dormir, Butterfly esperará a noite toda pelo marido.
 
Preciso falar que te amo?
BellVil
 
 
A noite se aproxima e meu pensamento em ti, ainda continua
No ar ainda estão nossos perfumes, em meu corpo sinto ainda o teu calor
Essa pausa que nos afasta, só serve para relembrar com ternura, nossos momentos de amor
Essa paz que deixas sempre comigo, levo seja onde fôr
Assim sempre imaginei que seria esse sentimento, que não tem tamanho e tampouco como calcular o valor
 Não se avaliam corações apaixonados, eles são doados e já não nos pertencem, troca mútua quando nos entregamos ao amor
Se o teu já me pertence e do meu, te tornastes dono...Preciso falar que te amo?
Claro que precisa, pois quero ouvir também toda hora, por que guardar o que em nosso peito, está a gritar!!

Ato III
Butterfly, que não dormiu a noite inteira, canta uma cantiga de ninar para o filho, que adormece nos seus braços. Suzuki aconselha a ela que durma também; quando Pinkerton chegar, ela virá despertá-la. Exausta, ela por fim cai no sono. Falta pouco para amanhecer quando batem à porta; Suzuki vai atender, são Sharpless e Pinkerton. Pinkerton, ao ver todas as flores e ao ouvir de Suzuki como Butterfly o esperou todos esses anos, é tomado de um súbito remorso. De repente, Suzuki nota uma mulher no jardim, e pergunta quem é ela. Sharpless não aguenta mais essa farsa e conta-lhe toda a verdade. Suzuki leva as mãos ao rosto e diz: "Santas almas! Para a pequena, o sol se apagou!" Sharpless pede a Suzuki que vá ao jardim falar com Kate Pinkerton. Enquanto isso, este último, possuído por um remorso avassalador, por fim reconhece que foi naquela casinha pequenina que ele conheceu a verdadeira felicidade (Addio, fiorito asil). Pinkerton sai correndo; ele não tem coragem de enfrentar a jovem cuja vida ele destruiu. Butterfly desperta e, ao sair do quarto onde estava dormindo, entra na sala e se depara com Sharpless, Suzuki, e uma mulher estranha. Suzuki chora. Num átimo, Butterfly compreende tudo. "Não! Não me digam nada. Eu já sei. Aquela é a mulher de Pinkerton?" Kate pede a ela que lhe entregue o seu filho. "Serei como uma mãe para ele." Butterfly promete que o entregará dentro de meia hora. Sharpless e Kate se retiram, e Butterfly pede a Suzuki que vá buscar seu filho. Enquanto isso, ela retira de um baú um punhal, com o qual seu pai havia cometido seppuku, também conhecido como hara-kiri, um suicídio ritual japonês, e lê a inscrição: "Com honra morre aquele que não mais com honra viver pode." Suzuki volta com o garoto, e Butterfly pede a ela que a deixe a sós com ele. Ela beija ternamente o seu filho, e pede a ele que nunca se esqueça da sua mãe japonesa. Venda os olhos do menino, dá-lhe uns brinquedos para que brinque, e enfia a faca no ventre. É o fim.
 
NEM O TEMPO...
Wilson de Oliveira Carvalho
 
Impossível esquecer as
feridas,
 se nem o tempo 
foi capaz de cicatrizar.
 
Nesta situação de tortura,
difícil deixar de ouvir,
 o clamor de um coração 
que, sem motivo, foi ignorado e,
em algum lugar, esquecido.
 
Parece que as coisas mais
insignificantes,
 criaram vida para atormentar,
 para provocar lágrimas,
como se não fossem velhas conhecidas.
 
Esses inauditos fantasmas,
que surgem freneticamente
a cada segundo,
rodeiam sem dar paz,
acabando por estraçalhar,
 o que resta de um sentimento.
 
Interessante,
como somos afeitos
a não dar valor ao que temos,
talvez, até seja por estarmos
constantemente nos preparando
para conquistar o infinito....
 
Contudo,
em dado momento, perdemos tudo,
até o que nunca possuimos,
e, aí, nos debruçamos
nas ventanas do destino,
e, ali, vivemos sozinhos
 e sem arrimo....

Giacomo Puccini (1858-1924)

Ciúme difamador, doença incurável, suicídio, sucessos e fracassos. A vida de Puccini daria uma bela (e típica) ópera sua. Ele é considerado, depois de Verdi, o maior compositor italiano de óperas, prestigiado em vários países. Puccini pode ainda ser considerado o pai do teatro musical moderno – que se desenvolveria posteriormente com artistas como Vincent Youmans, Victor Herbert e Cole Porter.

História de amor
Tarcísio Zacarias dos Santos

Não sei por que amo tanto.
Perderia tempo se tentasse explicar,
ficaria confuso e te deixaria também.
Se encontrasse uma explicação racional,
o amor perderia o sentido.
Amor só entende quem sente
ou quem já sentiu.
Quem ama intensamente
não se preocupa em explicar,
passa o tempo todo amando.

Sentimento não precisa ser explicado.
No máximo, a gente diz como é,
qual o tamanho e a cara que tem,
qual o tempo que a gente quer que ele dure.
Invariavelmente este tempo é a eternidade.
O tempo vai passando,
dando cara nova às pessoas,
aos acontecimentos e sentimentos.

O tempo faz a gente notar que
histórias de amor tomam formas novas,
Deixam de ser inéditas.
Tornam-se públicas.
Viram versos, viram lágrimas.
Apertam corações confidentes.

Histórias de amor não são tristes,
Não são alegres.
São histórias, somente.
Não é porque uma lágrima
seja representação maior de uma história
que ela tem de ser triste.
Lágrima rola no rosto de todo mundo.
A vida é feita de histórias tristes
e histórias alegres também.

Tem histórias que a gente
não consegue classificar,
que não encontra palavra
ou sentimento para representar.
Não é preciso classificar as histórias,
organizar por tema,
intensidade e duração.
Histórias perdem a graça
quando rigidamente classificadas,
ficam parecendo catálogos,
fichários, receitas de bolo.

Imagine uma história de amor contada
como se fosse receita de bolo.
Que graça teria?
Ingredientes, modo de preparo,
porção para duas pessoas.
E os personagens que não se misturam,
que são como água e óleo?
Como juntar ingredientes tão díspares?

Misturar água e óleo,
receita mais absurda.
Francamente...

Com o tio, então diretor do Instituto Musical Pacini, e com o maestro Carlo Angeloni começou os estudos de música. Iniciou a carreira aos 14 anos como organista de igrejas na cidade de Lucca, na Toscana, onde nasceu em 22 de dezembro de 1858.

 
MEU VELHO PIANO
Regina Bertoccelli
 

Sobre meu piano, um metrônomo insiste
em marcar um andamento,
mas meus dedos cansados e envelhecidos,
não conseguem mais a virtuosidade de outrora
As teclas de marfim guardam notas perdidas
de uma partitura esquecida, envelhecida...
Perdi os sons vibrantes,
os acordes marcantes...
Resta-me a docilidade infantil de apenas
brincar sobre o teclado já amarelado
pelo tempo
Notas desafinadas repercutem na sala vazia,
entre fusas e semifusas distoantes
O brilho envernizado de meu velho piano,
reflete meu semblante triste e saudoso
Sem desistir, insisto em reviver os sons
do passado, mesmo pressentindo
que não os trarei de volta
Vencida pelas tentativas vãs, meus dedos
se recolhem diante de minha
fragilidade e comoção
E calo abruptamente as teclas
Fecho meu piano, recolho os fragmentos
de minha alma entristecida e vencida
Quem sabe amanhã, ou depois,
o tempo me devolva a agilidade perdida
Quem sabe...

A ópera entrou na vida de Giacomo Antonio Domenico Michele Secondo Maria Puccini aos 18 anos, quando assistiu a "Aída", de Giuseppe Verdi, em 1876.

 
Chuva de Amor
(Sávio Assad)
 
Esta chuva que cai, molhando seu corpo
Desvendando detalhes de malícias do amor
Revelando todo percurso do tato no escuro
Me dando prazer em te sentir molhada e serena.
 
Fazendo meu corpo tremer  ao pensamento
De te-la novamente em meus braços
A procura de meu corpo seco e macio
Te esquentando e te aquecendo.
 
Neste embate do amor vibramos juntos
A procura do tremer das carnes
E da realização do prazer uniforme
A banhar nossos corpos ardentes.

Apesar da situação econômica difícil desde os 5 anos de idade – quando o pai morreu -, Puccini ingressou no Conservatório de Milão em 1880 graças a uma bolsa de estudos concedida pela rainha Margherita e a ajuda financeira do tio. Embora não tivesse a idade mínima permitida, aos 22 anos ingressou diretamente na turma "sênior" do conservatório.

O Poema Que Ressoa em Mim.
Delasnieve Daspet


Sem aviso, surgistes.
É tudo tão novo, como o dia,
que começa bem cedo.
Não sei o que acontece...
A estrada parecia tão longa,
de repente, sinto-me em casa.

Duas vidas.
Dois mundos.
Me estendestes a mão e o coração.
Que sei agora?
Quem somos?
Quem sou eu?
Quem és tu?

Estava tão só até tua chegada,
Poema, perdido, que ressoa em mim!
E volito... me dispo, mundana,
escrava que sou de teu poder...
Assumo outro eu, sonhador,
que vive, no abissal mundo, que sou.

Me entrego a ti, palavra,
perdida, solta, cheia de vida,
tantas vidas, sou eu, em mim...

Três anos depois, já de saída do conservatório, compôs sua primeira ópera, "Le Villi", visando ganhar um concurso. Perdeu, mas seguiu seu destino. Em 1889 estreou no teatro Scala, em Milão, a ópera "Edgar", também sem muita repercussão. Cogitou largar tudo e recomeçar a vida na Argentina, onde vivia o irmão.
Foi com "Manon Lescaut" (1893), sua terceira ópera, que obteve a fama internacional. A escolha desse tema foi uma ousadia porque havia sido baseada em uma história de recente sucesso do francês Jules Massenet. A obra de Puccini logo ganhou o mundo e foi aplaudida de Londres a Budapeste, passando pelo Rio de Janeiro e Buenos Aires.

O ÚLTIMO GRITO
SOLANGE CASTILHO

Sinto o meu sangue jorrar
e não tenho prantos para chorar
sei que um dia todos irão se lembrar
daquela que morreu por acreditar.
Meus olhos só podem fitar o escuro
meu corpo já esta frio,inerte e duro.
Tantas noites desertas,
tantos amores incertos
tantas dores no peito.
Tão difícil ver a vida assassinada.
Tão difícil ver que meu último grito
não foi ouvido...
Será que alguém teria prantos,
teria voz, ou seguer
um gesto para esse momento?
Ao redor as flores vão dizer
que eu morri de viver.
As velas nos castiçais vão dizer
que eu vivi para morrer.
Solitário esta meu corpo
que já começa a vagar.
Será que alguém vai se importar?
Será que alguma flor vai se abrir?
Pra que falar, pra que chorar,
se agora de nada vai adiantar.
Agora que não há
mais amor em meu coração.
Agora que eu sinto que já morri para todos,
principalmente para você...
Ninguém vai ver minha partida
não quero deixar prantos na despedida.
Guarde meu nome contigo,
meu nome é nome, só nome
é simples mas decisivo,
eu parto sem chorar dor,
eu parto mas deixo aqui o que fui...
Deixo amor...

Solange Cardozo dos Santos Castilho
******
Amor doentio

Puccini realizou um amor impossível – pelo menos para uma Itália católica ultraconservadora e preconceituosa. Aos 25 anos, começou um romance com uma mulher casada, Elvira Gemignani. Tiveram um filho, Antonio, nascido em 1896. O casamento ocorreu em 1904.
 
Olhos de Solidão
Zena Maciel

No prelúdio da noite
a trôpega alma silencia
beija a amarga boca da agonia
 

O estéril tempo se vai
leva consigo a bagagem
pesada de sonhos
 

Esvazio o cântaro da ilusão
choro. a dor ... com olhos
molhados de solidão
 
O coração fossilizado
grita forte e desesperado
diante do estupro do amor !


A relação foi conturbada. Ciumenta, Elvira acusou a empregada da família Doria Manfredi de seduzir e manter relações sexuais com Puccini. Pressionada, Doria suicidou-se em 1909 com veneno, na casa dos Puccini. A autópsia confirmou a virgindade dela. Elvira teria sido presa por alguns meses por injúria contra a empregada, além de pagar indenização à família da acusada.

Acontecimentos ruins ainda marcariam a vida do compositor. "Era como se eu tivesse sofrido um linchamento, os carnívoros não escutaram nenhuma nota da minha música. Eram loucos, bêbados e cheios de ódio. Mas a minha Butterfly não morre. É a ópera com o mais profundo sentimento e imaginação que já criei", disse após a estréia da ópera "Madame Butterfly" em fevereiro de 1904. Foi um fracasso inesperado.

 
A HORA DA PARTIDA
Jorge Linhaça
 
 
Caminho pela estrada desta despedida
O infinito assim aberto à minha frente
sem saber do futuro, vivendo o presente
deixando para trás parte de minha vida
 
 
Caminhos que se trilham ao caminhar
Jornadas que se executam no percorrer
para um futuro pleno de maior saber
De tudo que a vida me possa ensinar
 
As lembranças que carregarei comigo
são as imagens do que a vida me deu
o privilégio de ter vivido feliz contigo
 
Um amor que o coração não esqueceu
um reviver de um eterno e cruel castigo
A paixão que no tempo assim se perdeu
 

O compositor persistiu. Debruçou-se sobre a obra, revisando tudo e refazendo alguns trechos. Dividiu o segundo ato em duas cenas e eliminou alguns trechos do primeiro. A versão revisada obteve um estrondoso sucesso meses depois.

 
SINTO TANTO TUA PARTIDA
Ana Maria Brasiliense
 
Sinto tanto tua partida...
Pensei que irias ficar !
Partes lenvando parte de nossas vidas.
Partes deixando saudades...
Sinto tanto tua partida !
Não posso deixar de chorar... sinto tanto !
Por mim  por ti...
Pensei que irias ficar !
Sinto tanto...
Por favor não vá !

Outro acontecimento atrapalhou o andamento de seus trabalhos. Em 1903 sofreu um acidente de carro. A recuperação foi lenta. Ficou 8 meses em uma cadeira de rodas. Na ocasião foi diagnosticada sua diabete. Nunca mais sua saúde foi a mesma.
 
SOLIDÃO
Humberto Amancio

 
Ainda sob o pós das estrelas
que neste momento não brilham
mas derretem seu brilho em mim
sentado num campo sem flores
a pensar na lua que sumiu
e no sol que não vai aparecer
me sinto perdido e só no cosmos.
Sei e dizem que sei
que tudo é passageiro
mas não é o tempo que penso
e sim a vida como vida
e dona do tempo...
Por isso não espero nessa solidão
tento ver além desse cosmos desfeito
e encontrar outra dimensão
onde as estrelas, o sol e a lua
não sejam expectadores desfeitos
de uma solidão que sinto
mas sim agentes que me levem
a sair dessa solidão sem amor
sem na verdade eu mesmo.
E esse pensar me faz pensar
vou continuar a procura
mesmo sabendo que terei
que ir até o infinito
ou outras dimensões
mas encontrarei esse amor
que existe dentro de mim
mesmo estando só.


Ainda envolvido com "Madame Butterfly", Puccini já começava contatos com a embaixada do Japão. Era o embrião de "Turandot", que ele deixou inacabada, sendo concluída por Franco Alfano. Enquanto trabalhava na orquestração do segundo ato, no final de 1923, as dores na garganta se tornaram insuportáveis. Puccini continuou a ignorar a doença, que avançava.
 
AMOR
Lílian Maial


Molhado vulcão da paixão,
devasta a nefasta sede
e, na rede, joga a isca,
se arrisca num bote,
é o mote do poeta:
vilão pateta dos luares.
Há mares de mais no horizonte,
infindável fonte
de inspiração,
sofreguidão de marinheiros,
escudeiros do amor pingado,
esse, deixado de lado...
Por fim, converso com meus botões:
- Amar! Ah! De amar sabia Camões!

Em fevereiro de 1924 completou o segundo ato de "Turandot". Nos meses seguintes, trabalhou rapidamente na orquestração do terceiro ato _ até a cena da morte da personagem Liú. Com dores cada vez mais intensas, decidiu procurar um médico, que, a princípio, diagnosticou uma inflamação na garganta.

Internou-se em uma clínica de Bruxelas em 4 de novembro daquele ano. Mesmo assim, continuou trabalhando em "Turandot". No dia 24 do mesmo mês foi operado e cinco dias depois morreu de insuficiência cardíaca.

 
Tantos caminhos
Helô Abreu

Tantos são os caminhos
Que temos que caminhar
Uns tortos outros as vezes retos
Desafios que a vida nos faz
Neste nosso eterno andar
Não!
Não quero pombas soltas
A me acompanhar
Nem céu infinito de azul,
A me iluminar..
Grito ao mundo em surdina,
Quero caminhar pela vida
Como ela é
Como mereço
Com pés fulminando a cor dos poros
Com loucura,
Com passos ora rápidos
Ora bêbedos
Que me violem,
Com palavras pequenas,
Apenas para que voem..
Eu não vôo..caminho
Que arremessem os meus suspiros
Contra ondas de pedras e de calor..
Eu continuo meu caminhar
Que me matem e me engulam
Num grito de silêncio perdido no chão,
Deste meu eterno caminhar
Pois só assim chegarei a conclusão
Que  todas as pegadas
No chão, por mim deixadas
São somente minhas
E de ninguém mais...

.

"Turandot", uma de suas óperas mais ambiciosas, estreou no dia 25 de abril de 1926, no teatro Scala. O maestro Toscanini, seu amigo, interrompeu o espetáculo no meio do terceiro ato – até onde Puccini havia escrito -, abaixa a batuta, volta-se para o público e diz: "A partir deste ponto o maestro morreu".
 
AMOR E DOR
Uma Mulher Um Poema

Anoitece e os pensamentos
Perfuram minha mente
Tal qual um punhal afiado
Causando dor e sofrimento.

Seu corte é profundo
No gume que se afia à luz da lua
Faz sangrar o coração e a alma
No amor que se transforma em vil tortura.

Amar não é padecer em sentimentos
Mesmo assim, padeço nesse querer
Ecôo teu nome em múltiplos suspiros
Por ti, me esvaio em desejo até desfalecer.

UMA MULHER UM POEMA 
Publicado no Recanto das Letras em 04/08/2006

 
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Agosto de 2006

TTNeves e Rivkah