RevisTTa

(MOMENTOS ETERNOS)

 Festa Junina

Edição TTNeves - Arte Rivkah

Neste arraiá ,na festança entraram as Cumadis e os Cumpadis :

Rosa Pena /Marly Caldas/Cumadi/Lilia/Eme /Clevane/Guida/

Anna Peralva/Linhaça/Mercília/Marise/Anna/Eliane/Laura/

Tânia/Terê /Iza/Arneyde/ TT e o Tuniko e Tinoko:) 

***

Um pouco da história da festa

Comemoradas no Brasil desde o século XVI e trazidas pelos portugueses, as festas juninas sofreram adaptações, com costumes novos agregados aos antigos. Mesclando ritos pagãos e cristãos, têm um importante papel no calendário folclórico, apresentando características diversas, de acordo com cada região do País.

Topas?
Rosa Pena

Não foi  fogueira,
de Santo Antonio,
nem de São João.
Nem aquela,
toda amarela,
que corre de mão em mão,
anunciando a competição.
Foi fogo da paixão,
do amor,
que solta  tesão,
começa no beijo,
termina no colchão.
O fogo que arrasa,
nem água,
nem o tempo,
apaga a brasa,
mora?
Que queima no coração.
Basta de indecisão.

Me namora?

Durante o solstício de verão da Europa (junho / julho) gregos e romanos homenageavam os deuses da colheita com grandiosas fogueiras, cantorias e danças. Ferônia, deusa dos cultos agrários do centro da Itália, era reverenciada com fogueiras e os predestinados caminhavam sobre suas brasas. Estas festas foram difundidas durante a ocupação romana, chegando assim a Portugal. Com o advento do cristianismo, receberam nova roupagem, substituindo – se os deuses pelos santos da fé católica.

As festas juninas (de junho) ou joaninas (de João) correspondem às festas de Santo Antonio, São João e São Pedro, iniciam-se no dia 12 do mês, com os festejos da véspera de Santo Antonio, e terminam no dia 29 (São Pedro); têm seu auge na noite de 23 para 24, o dia de São João propriamente dito.

Embora seu caratér folclorico desapareça pouco a pouco, no Nordeste têm muita afluência popular as festas em Campina Grande, João Pessoa e Santa Luzia do Sabugi (PB), em cidades pernambucanas e em São Luís do Maranhão. Em Fortaleza (CE) realiza-se um festival de quadrilhas. No Centro-Oeste os festejos são mais intensos em Dourados e Corumbá (MS) e, no Sudeste, em Cabo Frio (RJ), na cidade do Rio de Janeiro e em Ubatuba (SP).

Nas grandes cidades, onde quase não se acendem mais fogueiras, um dos elementos centrais das festas, a tradição tende a desaparecer. As Festas ocorrem sobretudo nas escolas, onde professores costumam organizar festas a que as crianças comparecem em trajes caipiras. Nessas reuniões procura-se reviver tradições rurais: as danças de quadrilha, comes-e-bebes como pipoca e quentão, jogos e brincadeiras.

Lendas

O surgimento da fogueira de São João

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.

Abre A  Porta

Tonico e Tinoco

Abre  a  porta ou  a  janela

Venha ver quem é que eu sou

Sou aquele desprezado,

Que você me desprezou.

 

Eu já fiz um juramento

De nunca mais Ter amor

Pra viver, pená-chorando,

Por todo lugar que vou.

 

Quem canta seu mal espanta

Chorando será pior

O amor que vai e volta,

A volta sempre é mió.

 

Chora viola e sanfona

Chora triste o violão,

Tu que és madeira chora,

Que dirá meu coração.

&

Seu mentiroso

Marly Caldas

Deixa de ser mentiroso

Foi você que me desprezou

Deixei a porta aberta

Encho o jardim de flor

Na janela cortina nova

E você nem notou

E agora vem chorando

Implorando amor

Pode me esquecer

Pois a fila andou!!!!

***

Nossa Senhora então perguntou:

- Como poderei saber do nascimento dessa criança?
- Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho.

Ê FRIO BÃO!
 
Ói minha genti quirida
O frio tá pur dimais,
Os dedus ficaru duro,
As friera nem dói mais.
 
Si ocêis quizer saber
Daqueles bichu di pé...
Congelô... ficô durim
E foi-se pro belelé!
 
Vô pidi à cumadi Eme
Pra fuguera acendê
Modi isquentá os meus dedo
pro mío eu podê cumê
 
Nessa noiti de São Juão
A fazenda vai fervê...
Quem cumê batata-doce
O seu rojão vai fedê!
 
Cendi logo essa fuguera
Pro mío ieu podê assá
Num como batata-docê
Rojão num quero sortá!
 
Cumadi Lilia
*
A lenda das bombas de São João

Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai.

A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.

Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte dos festejos juninos.

Aponha bão nisso!!
 
Cumadinha Lilia
das veiz inté qui é bão
fazê um frio ansim!
Se mata os bicho do pé
mata piôio, lumbriga,
capais di matá inté
os caruncho lá, qui são
uns fío de uma figa,
acabanu cos fejão!
A sóra inda duvida
quesse frio vai curá
inté os berne do cão?!!
 
Punhei fogo na fuguera
cumas baita labareda,
pruque ansim é mió
pramó delas isquentá
na sua mão os seus dedo,
quíé pramor deles pegá
os mío muito mió!
...Góra ieu mi alembrei
dos pinto da penapeva
qui no frio eles pia
e cada pío é pió!
No calor é qui eles pia
e come mío mió!
 
As batata doce assanu...
quem si importa cos rojão?
Mistura mío e pipoca,
passoca cuns bão quentão...
E quem é qui vai sabê
qui chêro tem os rojão?
O qui eu posso afirmá
é que cherosu num é não!
 
Vamu intão acumpanhá
as cantoria e ranchera
que no meio do arraiá
os home vão cunvidá
pra dança as companhera!
 
Ê! Lasquera!!
cumadi Eme
***

Festa e Quadrilhas

Em festa de São João, na maioria das regiões brasileiras, não faltam fogos de artifício, fogueira, muita comida (o bolo de São João, principalmente nos bairros rurais, é essencial), bebida e danças típicas de cada localidade.

No Nordeste, por exemplo, essa festa é tão tradicional que no dia 23 de junho, depois do meio-dia, em algumas localidades ninguém mais trabalha. Enfeitam-se sítios, fazendas e ruas com bandeirolas coloridas para a grande festa da véspera de São João. Prepara-se a lenha para a grande fogueira, onde serão assados batata-doce, mandioca, cebola do reino e milho. Em torno dela sentam-se os familiares de sangue e de fogueira.

O formato da fogueira varia de lugar para lugar, o formato está ligado ao santo homenageado: quadrada para Santo Antonio, cônica para São João, piramidal Para São Pedro. Quanto mais alta, maior é o prestígio de quem a armou. A madeira utilizada também varia bastante: pinho, peroba, maçaranduba, piúva. Não se queimam cedro, imbaúba nem as ramas da videira, por terem uma relação estreita com a passagem de Jesus na terra.

 

Os balões levam, segundo os devotos,

Minina,minha garota,
qui friage disgramada!
Na minha casaca rota,
eu caio em cama  gelada,
i u qui pens em minha telha,(*)
é qui ficaro frio us pés,
sem um cobertô de orelha(*)
sem dedus pros cafunés...
 
 
Antis,era diferente,
agarradinha cum "Bem",
boca-a-boca,mão,cum mão,
chegava um foguinho ardente
de batata no tição,
era gostoso esse "trem",
o colchão ficava queeeente!
 
Já sei,in vez di chorá,
aquilo qui não tem mais,
as pestanas vô fechá,
e tentá dormi in paiz!
com o foguinho,vô sonhá,
e fingi qui ele é qui faiz!
 
Nhá Clevane Pessoa,de cumadi prá cumadi...
***
os pedidos para o santo. Quando a fogueira começa a queimar, o mastro, que recebeu a bandeira do santo homenageado, já se encontra preparado. Ele é levantado enquanto se fazem preces, pedidos e simpatias:

Depois do levantamento do mastro, tem início a queima de fogos, soltam-se os busca-pés e as bombinhas. A arvorezinha, também chamada de mastro, que é plantada em frente às casas e, no lugar da festa, é plantada perto da fogueira, está enfeitada com laranja, milho verde, coco, presentes, garrafas, etc.

As danças regionais, o som de violas, rabecas e sanfonas, o banho do santo, o ato de pular a fogueira, a fartura de alimentos e bebidas - tudo isso transforma a festa de São João numa noite de encantamento que inspira amores e indica a sorte de seus participantes. No fim da festa, todos pisam as brasas da fogueira para demostrar sua devoção.

QUI FOGO BÃO!!!
 
 
Eita qui coisa muito da boa
ponhá meu vistidu di chita
e a frô di rosa nos cabelo
i tasco o prefumi di madissilva
 
Lasco os zóios no ispeio
e tasco o baton vermeio
pego a borsa cum u lençu
qui é pro moço vim pegá
 
Quando eu pulá a foguera
o lenço marelo eu vô jogá
nos pés do moço mais lindu
pra módi eli bisoiá e vim pegá
 
Adespois lhe tasco um bejo
daqueli que desentopi a pia
i u moço nunca mais vai vê
otro disintupidô mió na vida
 
Ei cumadi Lilia e cumadi Eme
oces tão é munto da açanhadas
pra pulá a foguera e tomá quentão
i si esbaldá na noiti di São Jão
 
Eita.. nós si dobra...
vamu na quadriia dançá
óia a chuva...óia a cobra...
até o sol dispontá...
 
Cumadi Guida

Casamento caipira

Geralmente os personagens presentes à "cerimônia de casamento" são padre, coroinha, noiva, noivo, delegado, ajudantes do delegado, pais da noiva e padrinhos, numa capela. Os convidados estão posicionados em duas fileiras, deixando o centro para a noiva. O padre anuncia a chegada da noiva, que entra com o pai e vai até o altar, onde estão o padre, devidamente paramentado, seu coroinha e os padrinhos e pais dos noivos, tudo dentro do espírito, com sotaque bem interiorano, roupas que lembram os trabalhadores das fazendas.

VÔ NÃO, CUMADIS...
 
Ocês tão muito assanhadas...
É u frio, ou u quê?...
Num qui eu seja fofoquera,
nem qui quera ponhá lenha na fuguera.
Vô ficá por aqui mermo,
tá bem mais quentinho.
Punho umas meias véias nus pés frios,
isquento um leitinho
e vô drumi cum maridinho.
Inquanto ocês tão na canturia
eu vô na cama me esbardar,
tumara qui toqui um forró
prá festa docês animá.
Mas agaranto qui aqui vai cê bem mió,
pois vô ficar agarradinha cum meu cubertô
fazendo amô
inté o dia raiá...
Ê lasquera,
a cama vai virá fuguera
e as faguias vão briá
nu tetu du meu barraco,
prá modi de nus iluminá.
Eita trem bão este tar de amô!
Pru modi disso qui num vô!...
Aqui tá bão dimais!!!!!!!!
Cumadi Anna Peralva

Quadrilha

A quadrilha foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez bastante sucesso nos salões brasileiros do século XIX, principalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto do povo, que modificou suas evoluções básicas e introduziu outras, alterando inclusive a música.

A sanfona, o triângulo e a zabumba são os instrumentos musicais que em geral acompanham a quadrilha. Também são comuns a viola e o violão. Nossos compositores deram um colorido brasileiro à sua música e hoje uma das canções preferidas para dançar a quadrilha é "Festa na roça".

A quadrilha é mais comum no Brasil sertanejo e caipira, mas também é dançada em outras regiões de maneira muito própria, caso de Belém do Pará, onde há mistura com outras danças regionais.
Passos mais comuns

Anavantur (en avant, tout - todos à frente, em francês) - neste passo, os pares se dirigem ao centro, de mãos dadas, para formarem uma fila;

Anarriê (en arrière - para trás) - todos devem voltar a seus lugares;

Cumprimento às damas - os homens caminham dançando até as damas, e ajoelham-se à frente destas beijando-lhes as mãos. Após o cumprimento é dado o grito de anarriê, para que os cavalheiros voltem a seus lugares;

Cumprimento aos cavalheiros - da mesma forma que os homens, agora as mulheres caminham até os cavalheiros e os cumprimentam, levantando levemente a barra da saia;

Grande roda - as duas filas se juntam formando um círculo;

Caminho da roça - já no círculo, as pessoas devem se virar para o mesmo lado e seguir umas atrás das outras;

Olha a chuva! - durante o caminho da roça, os casais dão meia volta. Também podem ser dados gritos de "olha a cobra", "olha o Bush (ou qualquer fato que seja atual)", etc;

Já passou! - novamente os casais fazem meia volta, sempre gritando: ÊÊÊÊ!!!!!. Pode ser dado também o grito de "é mentira!";

Caracol - os primeiros da fila, no caso os noivos, devem começar a enrolar a fileira, seguidos por todos os outros casais, como se esta fosse um caracol, desfazendo-o depois;
Grande roda - os casais voltam a girar de mãos dadas;
Desfazer grande roda - os casais devem continuar rodando até chegarem aos seus lugares;
Túnel - os casais, que devem estar novamente posicionados frente a frente, após o avantur, seguram a mão da pessoa que está a sua frente, erguendo os braços. O casal da frente, que são os noivos, deve abaixar-se e passar por dentro do túnel. Enquanto isso, os demais casais movimentam-se para a frente. O túnel terminará quando todos os casais o atravessarem e os noivos estiverem novamente encabeçando a fila.

AVANCÊÊÊÊ
Jorge Linhaça
 
As cumadi tá çanhada
mó di o frio espantá
Qué ficá agasaiada
e us moço pudê bejá
 
Inté já cenderu a fuguera
as batata já tão assanu
Eita cumadis festera
Qui a coisa tá esquentano
 
Todas ocês de trançinha
e veistido de chita rendado
Tão muito da bunitinha
 
Assim vô ficá apaxonado
Ai minha virgesantinha
Que esta noite Tõ robado
 
Nhô Linhaça

Simpatias

Para Santo Antônio

Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam-no de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo.

E elas pedem:
"Meu Santo Antônio querido,
meu santo de carne e osso,
se tu não me dás marido,
não tiro você do poço."


Para arrumar namorado ou marido

Amarre uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.

Botá pra quebrá
 
Robado, Nhô Linhaça
é poco pra que farta ,
si ti fizeru foi graça,
é bom jogá logo as carta !
 
Nas trancinha tu ti achega,
nas fita ocê si inlaça,
isquenta nu pé da oreia,
ondi tem fogu, há fumaça ...
 
Batata quenti na brasa,
isquenta inté coração,
tanta santinha sem asa
tem medu e é cum razão !
 
Mais aproveita, mininu !
A lenha é pra si queimá,
São juão tá é drumindo,
Hoji é botá pra quebrá !
 
 
cumadi Mercília

Pimenteira
A moça deve apanhar pimentas num pé de pimenteira com os olhos vendados. Caso ela colha pimenta verde, seu noivo será jovem; se for madura, o casamento será com velho ou viúvo; se a pimenta for de verde para madura, o casamento será com homem de meia-idade.

Saber com quem vai casar

No dia de Santo Antônio, em cada refeição que fizer, deve deixar um pouco de comida no prato. No final do dia, ela precisa rezar para Nossa Senhora e pedir para que o homem amado venha comer os restos que deixou durante o dia. Depois é só adormecer, e o amado aparecerá em seus sonhos comendo a comida.

ou

Na noite de São João, escrever o nome de quatro pretendentes em cada ponta do lençol e dar um nó em cada uma delas. De manhã, o nó que estiver desmanchado tem o nome daquele com quem a pessoa vai se casar.

 

NUM TEM PRA NINGUEIM
Cumadi Marise
 
Ôces pensum qui si iam pru baile
sin mi aconvirdá?
Já burdei inté um bunitu xaile
prá du friu mi agarsaiá.
 
Essas cumadis assainhadas
acham qui vaum abafá...
Pois estaum muitu das inganada,
esperem só na festa eu mi achegá.
 
Us cumpadi tudo vaum babá
cum minha beleza faceira...
Vaum dizê sin pestanejá:
pra forrozá cum essa dunzéia
eu pulo inté a fugueira.
 
Quando achegá a hora du casório
adespois da quadria eu dançá
u noivu vai botá nimim us zóio
i deixá a noiva nu artar.
 
Intaum essas cumadis invejosas
vaum discubri muito tardi
qui a frumusura di uma muié
é u qui us maridu delas qué. 

Imagem do ovo

Na noite de 23 de junho, quebrar um ovo dentro de um copo e deixá-lo ao relento. Na manhã seguinte, interpretar o que está desenhado na clara: torre de igreja é casamento (em algumas regiões do Brasil) ou ingresso na vida religiosa (Maranhão); túmulo, caixão de defunto ou rede de defunto significa morte na certa em algumas regiões; em outras, a rede também pode ser interpretada como renda, de que é feito o véu de noiva; significa, portanto, casamento.

 

CANTIGAS

Gaitararaita

São João dararão
tem uma gaitararaita
quando tocararoca
batem nela todos os anjosaranjos
tocam gaitararaita
tocam tantaranto aqui na terra
Maria tu vais ao baile
Tu leva o chale que vai chover...
E depois de madrugada,
Toda molhada tu vai adoecer
Toda molhada tu vai adoecer.

Tô Chegando
Marly Caldas


 

E eu tô  chegando
Chegando da cidade
Com sotaque carioca
Mas adoro uma festa na roça
Dançar uma quadrilha é comigo
Numa roupa de chita
E chapéu de palha
Rapadura...pé de moleque
E muito quentão
E no fim da festa
Junto da fogueira
Já me arrumei
Com um moço formoso
Que esquentou meu coração

Chegou a hora da fogueira
(Lamartine Babo)

Chegou a hora da fogueira/ É noite de S. João/ O céu fica todo iluminado/ Fica todo estrelado/ Pintadinho de balão/ Pensando na cabocla a noite/ Também fica uma fogueira/ Dentro do meu coração.

Quando eu era pequenino/ De pé no chão/ Recortava papel fino/ Pra fazer balão/ E o balão ia subindo/ Para o azul da imensidão.

Hoje em dia meu destino/ Não vive em paz/ O balão de papel fino/ Já não sobe mais/ O balão da ilusão/ Levou pedra e foi ao chão.

Cois  di loco
Don'Anna Mülla

Mai qui coisa essa muierada
Tudo gosta di pulá fuguera
No fundim tão tudo increncada
i cum farta diuma bôa manguera.


I ô Nhô Jorji intão
Que inté pareci dono di hárein
Tá c'os copu di quentão
Mai num ofereci prá ninguein


Tão tudo preocupado cos rojão
adispois de cumê as assadinha
faiz bein a Anna Perarva cô maridão
módi corre prá cama quentinha.


Nhá Guida cunhecedora das cobra
pula direitinho na hora di dançá
Mai vai sê uma mão di obra
Si essa mulé a cobra num amançá.


Meu santim livra nóis dessa doidera
qui já é quaisi di manhanzinha
Esse povo todo fica aqui di bobera
I ieu ainda tentanu fazê riminha....

Araaaaaaaaaaaaaaa...hihihihihi

Pézinho

Ai bota aqui, ai bota ali o seu pezinho
O seu pezinho bem juntinho com o meu
E depois não vá dizer que você se arrependeu
E depois não vá dizer que você já se esquece

 

Sonho de papel
(Carlos Braga e Alberto Ribeiro)

O balão vai subindo/ Vem caindo a garoa/ O céu é tão lindo/ E a noite é tão boa/ São João, São João/ Acende a fogueira/ No meu coração.

Sonho de papel/ A girar na escuridão/ Soltei em seu louvor/ No sonho multicor/ Oh! Meu São João.

Meu balão azul/ Foi subindo devagar/ O vento que soprou/ Meu sonho carregou/ Nem vai mais voltar.

Rodando...
 
Que idioma é esse
que não consigo falá?
Mas aceitei o  convite
se é pra na roda entrá!
 
 
Tem gente de todo o lado
desse nosso Brasilzão.
é  doce e bem quentinha
é roda do coração!
 
Gira a roda pru outru lado,
toma nova direção
si não nóis vamu tontiá
e vamu todas pru chão.
 
Ia sê muitu engraçadu,
sissu fosse acontecê
aí sim u Nhô Linhaça
di riso ia morrê.
Inté u idioma
tô cunsiguindu aprendê!!!!!!
 
Cumadi Eliane


Pedro Antonio e João
(Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago)

Com a filha de João/ Antônio ia se casar/ Mas Pedro fugiu com a noiva/ Na hora de ir pro altar/ A fogueira está queimando/ O balão está subindo/ Antônio estava chorando/ E Pedro estava fugindo/ E no fim dessa história/ Ao apagar-se a fogueira/ João consolava Antônio/ Que caiu na bebedeira.


Isto é lá com Santo Antônio
(Lamartine Babo)

Eu pedi numa oração/ Ao querido São João/ Que me desse um matrimonio/ São João disse que não/ São João disse que não/ Isto é lá com Santo Antônio.

Eu pedi numa oração/ Ao querido São João/ Que me desse um matrimonio/ São João disse que não/ São João disse que não/ Isto é lá com Santo Antônio.

Implorei a São João/ Desse a menos um cartão/ Que eu levasse a Santo Antônio/ São João ficou zangado/ São João só dá cartão/ Com direito a batizado.

Implorei a São João/ Desse a menos um cartão/ Que eu levasse a Santo Antônio/ São João ficou zangado/ São João só dá cartão/ Com direito a batizado.

São João não me atendendo/ A São Pedro fui correndo/ No portão do paraíso/ Disse o velho num sorriso/ Minha gente eu sou chaveiro/ Nunca fui casamenteiro.

São João não me atendendo/ A São Pedro fui correndo/ No portão do paraíso/ Disse o velho num sorriso/ Minha gente eu sou chaveiro/ Nunca fui casamenteiro.

Pula a fogueira
(João B. Filho)

PRONTA PRÁ FORROZÁ

 

Di longi iscutei ôcês

Mi chamandu prá festejá

As festa do mês de junho

Num arrasta pé de lascá

 

Entonce pensei rapidinho

Se aqui fôru tudo drumir

E si gostu tantu de festa

Pruquê que num devo ir?

 

Resorvi logo apressada

Amarrá meus cabelu cum fita

Dirramá água di cheru nu corpu

E visti meu vistidu de chita

 

Garrei mão do quentão, pamunha, canjica

Pé-di-mulequi, batata dôci assada, pipoca

Bolu di mio vêdi, arrôi dôci, muguzá, cuscus

Sem isquecê du bolu di fubá i da paçoca

 

Prá logu currê prá cá e mi juntá cum ôcês

Prá sartá na fuguêra acesa, cendê fogu, balão sortá

Apruveitá os forguedu e brincá qui nem matuta

Forrozandu nu salão, ao som di zabumba i ganzá

 

Êta como é bão festa junina

Muita crendici, aduvinhação i simpatia

Desdi santantonhu, sanjuan, inté sunpedu

Todas as cidadi humenagia cum aligria

 

E em gradicimento ao cunviti da cumadi

Me arretiru, cum meu cumpadi, prá ir brincar

E quem gostá, qui venha tumbém prá forrozá

Prá si divirti, pela noiti adento, lá no arraiá!

 

Laura Limeira

Pula a fogueira Iaiá/ Pula a fogueira Ioiô/ Cuidado para não se queimar/ Olha que a fogueira/ Já queimou o meu amor.

Nesta noite de festança/ Todos caem na dança/ Alegrando o coração/ Foguetes, cantos e troca/ Na cidade e na roca/ Em louvor a São João.

Nesta noite de folgueto/ Todos brincam sem medo/ A soltar seu pistolão/ Morena flor do sertão/ Quero saber se tu és/ Dona do meu coração.

EITA FUGUEIRA QUENTINHA

Ta friu adimais da conta
Bão adimais pra pipoca,
Quentão, vinho-quente
Eita trem bão sô  !!!

Eita "balancê"
Us homi assanhadu sô !!!
Garrandu adimais
Eita trem bão sô !!!

Ai o turnerrrrrrrrrrrrrrrrr
Perdi o chapéu di paia
Mas agarraru minha saia
Eita trem bão sô  !!!

Esquentar assistindu u Brasir
E agruda na "Gana"
Qui vai vortar pra África
E nóis vai festejá  !!!
Eita trem bão sô !!!
      Tânia Sueli

Capelinha de melão
(João de Barros e Adalberto Ribeiro)

Capelinha de melão / É de São João /
É de cravo, é de rosa / É de manjericão.
São João está dormindo / Não me ouve não /
Acordai, acordai / Acordai, João.

Atirei rosas pelo caminho / A ventania veio e levou/
Tu me fizeste com seus espinhos /
Uma coroa de flor.

 

Olha pro céu meu amor
(José Fernandes e Luiz Gonzaga)

Olha pro céu meu amor / Vê como ele está lindo /
Olha prá quele balão multicor / Como no céu vai sumindo / Foi numa noite igual a esta / que tu me deste o teu coração/ O céu estava em festa / porque era noite de São João / Havia balões no ar / xote, baião no salão / E no terreiro o teu olhar / que incendiou meu coração.

Caçano Marido

Cumecei nessa impreitada
agora num hei di pará
tô percurano um marido
que num seja mão-de-vaca.

Num careci sê bunito
mai tem qui sê prefumado
chero de bodi e cabrito
eu num quero do meu lado.

Quero qui seja pueta
módi o sonho alimentá
ma nem pur isso eli pensi
qui num vai mi sustentá.

Dizim qui ieu sô fiminista
mai tão memo a si inganá
eu sô memo é arpinista
o qui eu quero é mi casá.

Seja forte i sacudido
pá guentá a baraiada
qui eli num fique iludido
qui eu num vô é fazê nada.

Qui tenha um nome decenti
i apilido si quisé
Mai ninguém nunca lhi chami
Cearense ô Frequeté.

Qui essis dois vendi repoio
inda dizim qui é do roxo
vivem falano pru povo
qui cura marido froxo.

Si acaso lhi interessá
entri na fila i isperi
i num faça exigênça
qui sô ieu quem indefere.

Quem achá qui issu é mintira
ô muita cara di páu
num si arrisqui a discubri
pruquê podi si dá mal.

Terê das Bêra Mar


São João na roça
(Luiz Gonzaga e Zé Dantas)

A fogueira tá queimando / Em homenagem a São João /O forró já começou / Vamos gente, arrasta pé nesse salão.

Dança Joaquim cum Raqué / Luis cum Iaiá /
Dança Janjão cum Isabé / E eu cum Sinhá /
Traz a cachaça Mané / Que eu quero ver /
Quero ver / Quero ver / Saia avuá.

A fogueira tá queimando / Em homenagem a São João /O forró já começou / Vamos gente, arrasta pé nesse salão.

 

Cai, cai balão

Cai, cai balão/Cai, cai balão/Aqui na minha mão

Não vou lá, não vou lá, não vou lá/Tenho medo de apanhar.

 

Música Junina
(Letra: Djalma da Silveira Allegro
Música: Paulo Soveral)

oia io ai cumadi
nha Arneyde
 
To cheganu pra modi di pula fogueira
na noite di San  Joam
vou dansa quadria,bebe quenton
e un namoradu incontra.
Ja pedi pra Santo Tonho
um maridu nesse arraiá
e si ele num me da
vou virar o santo pra paredi
pros modis dele num me oia.
vai fica de castigo ate io me marida.
Com as cumadis vou me diverti e dansa
a noite inteira,
nessa quermessia vou compra
uma rosa amarela por meu vestido enfeitá
.Vou de laço de fita
e mutho carmim na boca
pra deixa marca nos rapazis
que eu beijá rssrsrsr

A mesa tá preparada/ Os conviva vao chegando/ O quentão vai se servido/ O leitão tá esturricando.

Tem pipoca, tem pamonha/ Mio verde com fartura/ Tem cabrito e frango assado/ Tem doce de rapadura/ Tem tanta coisa gostosa/ Que barriga quase fura…

Chame o Mané Sanfoneiro/ Que o baile vai comecá!/ Vamos dancá a quadrilha/ cada um no seu lugar.

E a festança continua/ Continua o arrasta-pé/ Dança home com otro home/ E muié com outra muié.

Um já gasto a butinas/ Otro já sento cansado/ As mocas dançam com o padre/ As véia com o delegado/ Uns ainda tão na mesa/ Comendo doce e salgado.

A fogueira vai queimando/ Que dá gosto a gente ve/ As estrelas ainda piscando/ O sol quase pra nasce/ Tá todo mundo esperando/ Otro dia amanhece…

QUADRILHA

TT Kumadi redatora deste jorná 
 
Não é dos 40 ladrões
dá 1 tempo meu irmão
é só noite de São João
manda logo 1 quentão
 música no salão
e uma baita animação!
 
Fontes de Pesquisa:

http://www.portoweb.com.br/especiaispw/junino/origem.htm

http://www.portoweb.com.br/especiaispw/junino/festa.htm

http://www.portoweb.com.br/especiaispw/junino/simpatias.htm
http://www.portoweb.com.br/especiaispw/junino/musicas.htm 

Julho 2006

TTNeves e Rivkah