RevisTTa
(Momentos Inesquecíveis)
 Portugal & Amália Rodrigues
 
Edição:TTneves - Arte:Rivkah

Editorial
Viajamos por muitos mundos .
Desta vez navegamos, atravessamos oceanos para homenagear
 nosso amado,querido irmão-Portugal.
Não caberia aqui descrever toda sua grandeza, arte,potencialidade.
Pinceladas de sua História, alguns dos seus grandes poetas,
 sua música principal,o Fado e
o grande inesquecível mito, Amália Rodrigues,
que foi a voz,o hino e a bandeira de Portugal,"não morreu se encantou".
Para abrilhantar mais ,apertar laços de união
poetas de todos os cantos dando mãos-poesia
e estreitando mais ainda a amizade com o belo site
Cá Estamos Nós!

 
Maria Thereza Neves 2006
 
POETAS
Maria Petronilho/HenriCabilio/Eugênio de Sá/Rivkah/Sávio Assad/Iza Mota/Rosa Magaly Guimarães Lucas/JORGE HUMBERTO/Rogério Miranda/Aguida Hettwer/LuliCoutinho/Edmen//Milamarian/José Ronaldo-JR/Avany Morais/Sandra Lúcia Ceccon Perazzo/Pedro Valdoy/Manuel (Duarte) Sousa/Fernando Tanajura/José Ribeiro Zito e Maria Thereza Neves.

Portugal
Portugal (de nome oficial República Portuguesa) fica situado no sudoeste da Europa, na zona Ocidental da Península Ibérica e é o país mais ocidental da Europa, delimitado a Norte e a Leste pelo reino de Espanha e a Sul e Oeste pelo Oceano Atlântico. O território de Portugal compreende ainda os arquipélagos autónomos dos Açores e da Madeira, situados no hemisfério norte do Oceano Atlântico. Durante os séculos XV e XVI, Portugal era a maior potência económica, social e cultural do mundo, com um império que estendia-se em várias colónias pelo mundo. É hoje um país estável social e politicamente, economicamente próspero e humanamente desenvolvido.
 
O MEU PAÍS
Maria Petronilho
 
O meu país é o mar,
Tão cheio de lonjura!
De sol, de águas, de ondas
Saltando de além-ternura!


De aves brancas, brancas, brancas,
De ouro polido a luzir
E risadas a explodir
Na voz pura das crianças!


Meu coração, ele o fez:
Fado,
Má sina, talvez!
Mas no olhar,
Um riso de asa,
Ou não fora
Português!
*****
Lisboa é simultaneamente a capital e a maior cidade de Portugal, situada na foz do Rio Tejo. Além de capital do país, é também capital do Distrito de Lisboa, da região de Lisboa, da Área Metropolitana de Lisboa, e é ainda o principal centro da sub-região estatística da Grande Lisboa. A região de Lisboa é a mais rica de Portugal com um PIB per capita superior à média europeia.
O concelho subdivide-se em 53 freguesias e está limitado a norte pelos municípios de Odivelas e Loures, a oeste por Oeiras, a noroeste pela Amadora e a leste e sul pelo estuário do Tejo. Através do estuário, Lisboa liga-se aos concelhos da Margem Sul: Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete. Eclesiasticamente é sede do Patriarcado de Lisboa.
 
VEM VIVER OS DIÁLOGOS DO SILÊNCIO!
HENRICABILIO

Deixa-te estar,
Não digas nada! …
Há momentos em que as palavras são inúteis
E apenas atrapalham o diálogo dos sentidos…

Deixa-te estar,
Sem dizer nada! …
Fiquemos aqui os dois sentados fitando o horizonte
De olhos perdidos num qualquer ponto do infinito...
Não interessa que o planeta continue girando,
Que a vida continue florescendo,
Que o tempo continue fugindo de nós…

Agora o que importa é o nosso encantamento!...
Ficarmos aqui os dois de mãos dadas
Com o vento, com o sol, com a natureza…
Abraçando este nosso silêncio
E desfrutando o diálogo que nossas almas travam
Com a imensidão que as rodeia…

Deixa-te estar!...
Gozemos a nossa breve eternidade!...
Neste nosso tempo que não é nosso,
Façamos de conta que nada mais interessa,
Que tudo o que existe está adormecido,
Que tu e eu somos o centro do Universo…

Ah, como é bom fechar os olhos,
Inspirar as cândidas brisas de Luz
Que penetram profundamente nosso corpo e nossa alma
E nos transportam até ao local
Onde todos os sonhos são permitidos!


Como monumentos e tópicos de interesse turístico destacam-se, na Lisboa medieval:
Castelo de São Jorge, na colina mais alta do centro da cidade.
Bairro de Alfama, de estreitas vielas e que sobreviveu ao terramoto de 1755.
Sé de Lisboa.
Convento do Carmo.
Da cidade da época dos Descobrimentos podemos ver hoje na zona de Belém, duas construções classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade:
Mosteiro dos Jerónimos, mandado construir pelo Rei D. Manuel I.
Torre de Belém, construção militar de vigia na barra do Tejo.
 
 

A nossa pena

Eugénio de Sá

 

 

 A pena que desenha a amizade

em breves linhas feitas de ternura

é a mesma que escreve a desventura

de ver partir amigos de verdade

 

 

É uma pena leve de tormentos

Se a vida nos premeia com amor

E que assina por nós como penhor

As decisões dos mais belos momentos

 

 

Mas o seu peso dobra quando a dor

Emerge do desprezo e da traição

Torna-se rude o traço da desilusão

Ao queremos descrever o desamor

 

 

Ingente e nobre quando quer expressar

Os tons de ouro da vida que já percorremos

Ímpio o trato ao papel se então escrevemos

Que a solidão nos pesa e veio para ficar

*****

 

Do início do século XVIII o monumento mais significativo é o Aqueduto das Águas Livres. Após o terramoto de 1755, no plano em grelha aprovado pelo Marquês de Pombal (Baixa Pombalina) para a zona central da cidade, construíram-se as praças do Comércio (o Terreiro do Paço), junto ao Tejo, e do Rossio. Nas proximidades e com interesse histórico ou artístico são ainda a Praça dos Restauradores e o Elevador de Santa Justa, projectado em finais do século XIX por Mesnier du Ponsard, suposta mas erradamente um discípulo de Eiffel.
 
Teus olhos
Rivkah


Em vão meus pensamentos
buscam teus olhos!
Aqueles olhos que vi no Porto
antes d'eu partir!
Era um olhar pedindo que eu ficasse...
Justo quando eu já partia!

Andei por Coimbra, Sintra,
vi tantas coisas lindas...
mas nada igual àquele olhar!
Um olhar de quem me conhecia
e o pior é que eu também sentia!

Do navio meus olhos fitavam os teus
e o teu olhar ainda pedia...
Deveria ouvir os desejos meus!
Vejo que ali perdi a guia...

****
De referir ainda os palácios reais das Necessidades e da Ajuda, na parte Oeste da cidade.
Em finais do século XIX os planos urbanísticos permitiram estender a cidade além da Baixa para o vale da actual Avenida da Liberdade. Em 1934 é construída a Praça Marquês de Pombal, remate superior da avenida. No século XX sobressaem os extensos planos urbanísticos das Avenidas Novas, da envolvente da Universidade de Lisboa, e da zona dos Olivais, e os mais recentes do Parque das Nações e da Alta de Lisboa, ainda em construção. Os edifícios do fim do século XX mais notáveis em termos de arquitectura, incluem, entre outros, as Torres das Amoreiras (1985, do arquitecto Tomás Taveira (autor também do polémico bairro do Condado ex-zona J), o Centro Cultural de Belém (inaugurado em 1991), a Estação do Oriente (de Santiago Calatrava), a Torre Vasco da Gama e o Oceanário de Lisboa (de Peter Chermayeff), todos de 1998.

Portugal de Grandes Poetas  :

Hino à Razão
 Antero de Quental

Razão, Irmã do amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz de um coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.
Por ti é que a poeira movediça
De astros e sois e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.
Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade entre clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,
Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

Poema da malta das naus
António Gedeão

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me as gengivas,
apodreci de escorbuto.
Com a mão esquerda benzi-me,
Com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

Crepuscular
Camilo Pessanha

Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d'ais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.
As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados.
Sentem-se espasmos, agonias d'ave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas...
- Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.
As tuas mãos tão brancas d'anemia...
Ou teus olhos tão meigos de tristeza...
- É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.

AH, UM SONETO...
Fernando Pessoa

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.
Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falva...e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...

Vozes Do Mar
Florbela Espanca

  Quando o sol vai caindo sobre as águas
     Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
     Donde vem essa voz cheia de mágoas
     Com que falas à terra, ó mar imenso?...
     Tu falas de festins, e cavalgadas
     De cavaleiros errantes ao luar?
     Falas de caravelas encantadas
     Que dormem em teu seio a soluçar?
     Tens cantos d'epopeias?Tens anseios
     D'amarguras?  Tu tens também receios,
     Ó mar cheio de esperança e majestade?!
     Donde vem essa voz,ó mar amigo?...
     ... Talvez a voz do Portugal antigo,
     Chamando por Camões numa saudade!

Portugal
Miguel Torga
(Miguel Torga, pseudónimo adoptado em 1934 de Adolfo Correia da Rocha)

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que de tou.
Mostro aos olhos que não te disfugura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.
 
E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço.
Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.


Nunca manhã suave
Luís Vaz de Camões


Nunca manhã suave,
estendendo seus raios pelo mundo,
despois de noite grave,
tempestuosa, negra, em mar profundo,
alegrou tanta nau, que já no fundo,
se viu em mares grossos,
como a luz clara a mim dos olhos vossos.

Aquela fermosura
que só no virar deles resplandece,
com que a sombra escura
clara se faz, e o campo reverdece,
quando meu pensamento s'entristece,
ela e sua viveza
me desfazem a nuvem da tristeza.

O meu peito, onde estais,
e, para tanto bem, pequeno vaso;
quando acaso virais
os olhos, que de mim não fazem caso,
todo, gentil Senhora, então me abraso
na luz que me consume
bem como a borboleta faz no lume.

Se mil almas tivera
que a tão fermosos olhos entregara,
todas quantas tivera
polas pestanas deles pendurara;
e, enlevadas na vista pura e clara,
- posto que disso indinas – ,
se andaram sempre vendo nas mininas.

E vós, que descuidada
agora vivereis de tais querelas,
de almas minhas cercada
não pudésseis tirar os olhos delas;
não pode ser que, vendo a vossa antre elas,
a dor que lhe mostrassem,
tantas üa alma só não abrandassem.

Mas pois o peito ardente
üa só pode ter, fermosa Dama,
basta que esta somente,
como se fossem duas mil, vos ama,
para que a dor de sua ardente flama
convosco tanto possa
que não queirais ver cinza üa alma vossa.

Fado
O Fado é um estilo musical português. Geralmente é cantado por uma só pessoa (fadista) e acompanhado por guitarra clássica (nos meios fadistas denominada viola) e guitarra portuguesa.
A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, "destino". De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.
Actualmente a explicação mais aceite, pelo que diz respeito ao fado de Lisboa, é de que este teria origem nos cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia daqueles cantos, que é tão comum no Fado, estaria na base dessa explicação.
Há ainda quem aponte na sua génese uma síntese de géneros musicais, devido a abundante presença de outros povos em Portugal, e à altura de grande popularidade em Lisboa, como por exemplo o lundum e a modinha
.
 
Um Raio de Sol.
(Sávio Assad)
 
 
Deixe o sol invadir sua casa, ele restaura sua alma.
Deixe o sol invadir seu coração, ele restaura sua vida.
Deixa o sol invadir seu espírito, ele restaura seu amor.
Deixa o sol invadir seu universo, ele eleva seu espírito.
 
Somos caminhantes dessa vida e vivemos para nos esbarrar
Nos espinhos deixados pelo caminho, machucando os pés e
Adentrando em nosso coração, perfurando a alma de cada um.
Um raio de sol secará as lágrimas, quando sentir dor.
 
Machucados por entre capim navalha, também ficarás
E seu coração sangrará, até dizimar esta dor interna.
Novas lágrimas há de brotar, mas o calor que te envolve
Secará e te levará a ver flores onde tiver que caminhar.
 
Assim, é meu desejo a todos os amigos, que com carinho
Consegui conquistar no dia-a-dia, sempre com palavras
Que saem do meu coração. Te dedico este poema amigo(a).
 

Amália  Rodrigues
(Cantora de fado e atriz portuguesa)
23-7-1920, Lisboa
6-10-1999, Lisboa

Amália da Piedade Rodrigues nasceu em 1920, em Lisboa, filha de pais naturais da Beira Baixa. A data certa do nascimento é desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou que nasceu no primeiro dia desse mês.

Estreou como fadista em 1939 e alcançou de imediato um enorme sucesso junto do público. Em 1940, já atuava em Madri, dando início a uma brilhante carreira que repercutiu não só em Portugal mas em todo o exterior. Amália Rodrigues atuou e é conhecida em todo o mundo, sendo talvez o seu nome a palavra que internacionalmente se associa com mais facilidade a Portugal. Amália interpretou o fado, uma música tipicamente portuguesa, com entoação e sentimento inigualáveis, dando forma própria a uma expressão musical tradicional que vem já do século passado XIX. Entre seus fados de maior sucesso, encontram-se Estranha Forma de Vida, Povo que Lavas no Rio e Casa Portuguesa, tendo, aliás, cantado versos de alguns dos melhores poetas portugueses. Suas atividades estenderam-se igualmente ao teatro e ao cinema, tendo participado em filmes como A Severa (1954), Capas Negras (1946), Fado (1947) e Sangue Toureiro (1958).
Em 1944 viajou pela primeira vez para o Brasil, onde actuou no Casino de Copacabana. O sucesso levou a prolongar a estada de seis semanas para três meses, tendo regressado no ano seguinte . Amália Rodrigues gravou os primeiros discos de 78 rotações, a 17 de Outubro de1945, no Brasil para a etiqueta Continental.

 
Tempo do Tempo
Iza Mota
 
 
A espera do tempo
todo dia, a cada hora
 um minuto, segundos
Um tempo corrido,
um sinal, um aviso
para que possa soltar
o riso que fica contido
esperando o abrigo
deste tempo prometido.
Preciso encontrar
um canto, um remanso
que acalme esse tempo
que te leva para lida
me deixando a deriva
neste sentimento profundo
me perdendo e me achando
num tempo que não é eterno
e nem esta sempre certo.


Em Abril de 1949 cantou pela primeira vez em Paris e em Londres, em festas do Departamento de Turismo organizadas por António Ferro.
É de 1954 também o seu primeiro álbum, Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal And Flamenco From Spain, publicado nos EUA pela Angel Records. Este álbum nunca foi publicado em Portugal com o mesmo alinhamento.
No ano 1955 participou no filme Os Amantes do Tejo, de Henri Verneuil, onde interpreta a Canção do Mar e o Barco Negro. Filma no México Musica de Siempre com Edith Piaf. No dia 10 de Abril de 1956 estreou-se no famoso Olympia, de Paris, numa das festas de despedida de Josephine Baker, e em Julho de 1958 foi condecorada por Marcelo Caetano na Exposição Mundial de Bruxelas. Tambem filmou o documentary "April in Portugal."

“ O BARCO... O VENTO... O MAR...E Eu... “
Rosa Magaly Guimarães Lucas
- Eire
(Ao meu amigo e poeta português
Eugenio de Sá, que ama o mar)
 
  
Esse mar que eu amo tanto,
Traz-me à baila meu amor
Quando ondas do mar em canto,
Fazem das espumas flor...
 
Se a brisa é fria, uso o manto
Do sol quente e acolhedor...
Acomodo-me num canto
Do barco à vela sem cor
 
E o vento passa por mim
A zunir qual diapasão...
Com frio me encolho assim,
 
Deitadinha, ao rés do chão...
E o barco qual bailarim
Segue a sua direção...

Em 1958 é a estreia do preimeiro filme colorido em Portugal "Sangue Toureiro" a onde Amália interpreta um cantadeira. No dia 4 de Novembro de 1958 estreou-se na televisão portuguesa no papel principal da peça O Céu da Minha Rua, adaptada de uma peça de Romeu Correia.
Em 1961, confirmam-se os boatos que desde há muito andam no ar. Amália casa-se no Rio de Janeiro com o engenheiro César Seabra, e anuncia que vai abandonar a carreira artística passando a viver no Brasil. Um ano depois Amália regressa a Lisboa
Em 1962 foi editado o álbum Amália Rodrigues, mais conhecido como Busto ou Asas Fechadas, grande viragem na sua vida artística, onde canta Estranha Forma de Vida, Povo Que Lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, e, pela primeira vez, músicas de Alain Oulman. Em 1963, em Beirute, é tal o seu prestígio, que a convidam a acompanhar com os seus fados uma Missa de Acção de Graças pela independência do Líbano. E continua sempre a voltar aos países que não se cansam de a reclamar. Em Paris, o acolhimento do público é sempre delirante, não só no Olympia, como nos mais sensacionais acontecimentos artísticos.

QUE CANTEM OS POETAS
JORGE HUMBERTO

                  Que cantem os poetas,

                  Que digam os loucos,

                  O que disserem,

                  Palavra rude ou bandeira,

                  Esgar ou fonema,

                  Que cantem,

                  Não mais calem,

                  Pois quando a fome é plena

                  E a desgraça um teorema,

                  Toda a fonética é pouca,

                  Para se dizer da voz a boca

                  Da retorta que há num tema.


                  Quando o poeta canta

                  E traz a voz ao homem,

                  Ou é sorte ou a planta,

                  Dos versos quando morrem.


                  Por isso, que cantem os poetas,

                  Ou digam os loucos,

                  O que disserem,

                  Que não há grito, que cale a fome,

                  Nem palavra, por nosso nome,

                  Numa criança,

                  Quando morre.
                    *******

Em 1964 Amália regressa ao Cinema com "Fado Corrido", um Filme de Brum do Canto baseado num conto de David Mourão Ferreira, onde mais uma vez lhe dão um papel de fadista. Na estreia do filme em Lisboa confirmou-se mais uma vez que Amália continuava a ser a artista preferida do público português. Onde quer que aparecesse era sempre uma sensação.
Em 1965, Amália atinge a sua melhor interpretação no cinema em "As Ilhas Encantadas" do estreante Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. Neste filme, diferente de todos os outros da sua carreira, Amália pela primeira vez não canta. Amália volta a receber o prémio de melhor actriz com "As Ilhas Encantadas" e no ano seguinte aparece no filme francês "Via Macau".

PÉTALAS DO UNIVERSO
Rogério Miranda

Na liberdade da alvorada,
deixei meu sonho
percorrer o universo,
para conhecer
um mundo onde
mora a imaginação...

De estrela em estrela
procurei o brilho
que me fascinou,
quando eu meditava
no silencio da noite,

Nas nuvens, fui conhecer
o prateado que reflete
do dourado do sol,
nas tardes onde
o arco íris,
convidam os pássaros
para cantar em suas cores...

Na poeira
de uma estrela cadente,
colhi sementes de lírios
sagrados com pétalas
da cor do universo...

Plantei um campo
de lírios na fronteira
de minhas esperanças,
onde Deus, me ensinou
a paz...


Em 1966, é editado o primeiro disco em que recria o folclore, a que mais dois se seguirão. Com uma grande orquestra sinfónica, dirigida por André Kostelanetz, actua no Lincoln Center, em Nova Iorque, e no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Canta em França, Israel, Brasil, África do Sul, Angola e Moçambique. Amália cantou na inauguração da Ponte sobre o Tejo, gravou Concerto de Aranjuez, com uma letra em francês, e Vou Dar De Beber À Dor, de um compositor até então desconhecido, Alberto janes, que se tornará num dos maiores êxitos de Amália, com mais de 100 mil cópias vendidas.
Em 1967 em Cannes, Anthony Quinn, com enorme entusiasmo, anuncia oficialmente que prepara dois filmes para Amália, sendo o primeiro Bodas de Sangue de García Lorca. Mas Amália prefere exprimir-se no canto.

Passagem
Aguida Hettwer
 
Banhei minha alma, em perfume de rosas,
Nas asas de meus sonhos voei para longe,
Atravessando curvas sinuosas,
Recôndito de meus anseios abrange.
 
Suave aragem envolvente, zelosa sobre a pele,
Adentram nos frisos deixados pelo tempo,
O silêncio do âmago não dorme no peito fragele,
Embalo-me, nos braços do amor, recanto do Olimpo.
 
Lágrima desce gelada, sob a relva molhada,
Desfolhando minh ´alma ao vento, recolho-me,
Á sobra do plátano, em retirada,
Visto-me de transparência, estatelando a dor que oprime.
 
Bailando no suave perfume, a margem do coração,
No transcorrer da viagem, desvenda-me em longínquas paisagens,
Buscando caminhos prossigo, em dissertação,
No canto do olhar, levo a mágoa convertida em perdão, em minhas passagens.

*********
Em 1969 cantou na União Soviética, correndo o mundo que unanimemente lhe reconheceu o talento.
Em Janeiro de 1970, Amália parte para Roma para actuar no Teatro Sistina em Roma. O sucesso foi tal que o fenómeno "Amália" se espalha por Itália. Começava então "La Folia per La Rodrigues". Amália canta pela primeira vez em Tokyo, e também o Japão, apesar de tão longínquo e com uma cultura tão diferente, se rende ao fascínio de Amália . Desde então sucedem-se as tournées pelo Japão abrangendo várias cidades. Todos os seus discos são editados nesse país, que com ela tanto se identifica. É frequente, quando Amália parte para o Japão todos os seus espectáculos estarem já esgotados, lançando assim Amália, uma verdadeira ponte cultural entre Portugal e o Japão.
Em 1971 é o disco Com Que Voz que conquista para Amália os mais importantes prémios da indústria discográfica: IX Prémio da Critica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).

 
Elegia
LuliCoutinho

Foste embora
Deixaste o vazio
O amor no cio
Morre agora.

Juntei retalhos
Somei aos bugalhos
Os abortos do mal
E os anos de sal.

Dissipei a trama
Esqueci os dramas
As montagens da vida
Ao cárcere da lida.

Purifiquei os ares
Destilei os males.
Ateei-me ao Sol...
Refiz-me em Vida.
*****
Em 1972 no Brasil, estreia-se no Canecão do Rio de Janeiro Um Amor de Amália, onde, pela primeira vez num espectáculo organizado, Amália canta e conta histórias da sua vida. O sucesso é tal , que o show é repetido no ano seguinte. Esse espectáculo, onde Amália é acompanhada para além da guitarra e da viola, por uma orquestra e um coro, foi gravado em disco.
No dia 25 de Abril de 1974 dá-se a revolução que derrubou o regime fascista, que há 48 anos governava Portugal. Amália, devido a um contrato que tinha para actuar na televisão espanhola, partiu para Madrid no dia seguinte. Em Lisboa, a grande popularidade internacional de Amália fez com que, de imediato circulassem boatos que a ligavam ao regime deposto. Embora só ligeiramente prejudicando a sua carreira, estes boatos afectaram gravemente a sensibilidade de Amália. Apesar destes boatos, Amália aparece logo no Coliseu onde 5 mil pessoas aplaudem de pé, provando que o seu público nunca a abandonou. A partir dessa altura, faz as mais longas tournées por Portugal, e o seu sucesso internacional continuou a aumentar fazendo espectáculos por todo mundo.

POEMA DA IDADE.
Homenagem ao idoso.
 
Edmen 

Eu já fui jovem, belo, fogoso e viril.
Meus dias já foram coloridos,
lindos como o arco-íris,
calmos como o céu cor de anil.
Eu já fui pensador, orador eclético.
Entre tantos esportes que pratiquei,
o que mais gostei foi o futebol.
Já tive um corpo atlético,
por isso pratiquei também
o voleibol.
Hoje vivo o verdor da passageira idade.
Quem me vê, nem imagina,
da minha juventude,
que eu tenha tanta saudade.
Quantos jovens param,
apenas para olhar,
meus passos lentos,
quando nas ruas caminho devagar.
Minhas mãos trêmulas, quantas vezes,
delas, caiu a bengala.
O jovem que me vê, consigo exclama:
Comigo ele nem se iguala!
Esquecido que sou,
ninguém jamais, nem imaginou,
que lá atrás,
no tempo ficou,
os dias de um vigoroso rapaz.


Em 1976 são editados Amália no Canecão, album ao vivo, que regista parte do show de Amália naquele palco brasileiro em 1973, e Cantigas da Boa Gente compilação de material lançado anteriormente em singles e Lps. Também neste ano canta no Théâtre de Champs Elysées, em Paris. É publicado pela UNESCO o disco Le cadeau de la vie, onde figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, Yehudin Menuhim, Aldo Ciccolini, Gyorgy Cziffra e Daniel Barenboim.
No ano de 1977 editadas mais duas compilações – Fandangueiro e Anda o Sol na Minha Rua – de um novo single de Alberto Janes, Caldeirada, e de Cantigas Numa Língua Antiga, primeiro álbum de material original de Amália em três anos, embora dele façam parte alguns temas já anteriormente registados pela fadista, aqui gravados em novas versões. Neste ano volta ao Carnegie Hall de Nova York

 
ESPERANÇA
Milamarian
 
 
Vem na magia da primavera que se vai
recolhe folhas minhas neste solo caídas
pois o vento que sopra do alto da ermida
deixa no chão pétalas de um triste haicai.
 
 
Plácido colo recebe-me em abertos braços
longe de profanos versos mostra-me Eterno
pacífico mar onde de joelhos me prosterno
tombo às Tuas ondas no corpo em entrelaço.
 
 
Gravita em torno de mim nesta árida terra
vertendo em amor nos rios de água fluente
o sagrado licor que nem o tempo soterra.
 
 
E no respirar de Tu'alma em mim tão sereno
contemplarei o reflexo Teu no vazio poente
preenchendo enfim este universo obsceno.

Em 1980, Amália edita Gostava de Ser Quem Era, o seu primeiro álbum de material inédito em três anos, composto por dez fados originais com letras da própria Amália, escritas em sua casa durante a convalescência de uma doença.Também em 1980 recebeu do Presidente da Republica a condecoração de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Logo em seguida é homenageada pela Câmara de Lisboa.
Amália edita, em 1982, com poucos meses de intervalo, O Senhor Extraterrestre, um maxi-single com duas canções de Carlos Paião, e "Fado", um novo álbum de estúdio composto exclusivamente por novas gravações de composições de Frederico Valério, muitas delas criadas por Amália. O álbum atinge o 5º lugar do top de vendas de álbuns compilado pela revista Música & Som.
Em 1983, é editado o álbum Lágrima, composto por 12 originais gravados durante 1982 e 1983, de novo com letras suas. Será o seu último disco de material inédito
até à edição de Obsessão, em 1990.
ESTAÇÕES !!!!
José Ronaldo-JR
 
Tudo é um eterno recomeço
nesta era ou esfera
é como um reinicio
como na primavera.
 
Questão de estação
outuno, inverno ou verão
é uma transform "ação"
dependendo de cada "irmão"
 
o que semeamos aqui ou acolá
sempre nos retornará
é so olhar no "Uno e no "Verso"
e veremos o "Universo"
 
Lei da "ação e reação"
não poderia ser diferente
se está frio ou quente
depende tudo da "gente
"

É editado, em 1984, Amália na Broadway, que reúne oito standards de musicais americanos gravados por Amália em 1965 nos estúdios de Paço de Arcos com o maestro inglês Norrie Paramor, mas nunca antes editados em disco. As gravações haviam sido pensadas para um álbum de standards americanos que nunca veria a luz do dia. O álbum atinge o 17º lugar do top oficial de vendas de álbuns.
A 19 de Abril de 1985, Amália dá o seu primeiro grande concerto a solo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O sucesso do Coliseu repete-se em Paris onde Amália é condecorada pelo Ministro da Cultura Jack Lang, com o mais alto grau da Ordem das Artes e das Letras. E de Paris de novo parte para o mundo. Em Julho é editado o duplo álbum O melhor de Amália – Estranha forma de vida, que reúne 24 dos mais populares e aclamados fados de Amália e atinge o 1º lugar do top de vendas, mantendo-se oito meses no top e vendendo para cima de 100 mil exemplares. Na sequência do êxito, é editado um segundo álbum compilação, O melhor de Amália volume II – Tudo isto é Fado, que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2º lugar do top.

Não envelheci... Amadureci
Avany Morais
 
Em frente ao espelho passo a vida à limpo.
Vejo claramente que nada mais é como antes.
Analiso o rosto cansado...
As rugas em formação...
Marcas das preocupações.
Os olhos de olhar distante...
Sempre a olhar em direção do horizonte,
a espera do que sabe, nunca virá.
Traços de grandes saudades...
Saudades do tempo que passou
e que fez questão de levar
a vivacidade da juventude...
A felicidade tão sonhada...
Será que envelheci?
Fixando o olhar no espelho
vejo, não o que está explícito
na imagem cansada...
Minhas lembranças me levam para
além da imaginação...
Ultrapasso os espaços, os firmamentos
e vou em direção de um tempo,
que embora distante,
ficou gravado em minhas recordações.
Vejo claramente sua imagem a me sorrir...
Um sorriso tão lindo!
Trazendo em sua transparência
os momentos de felicidade...
Foram tão poucos, mas tão intensos,
que estarão por todas as eternidades,
presentes em minhas lembranças.
Sentir saudade...
Única saída para este amor impossível.
Volto ao espelho e encontro-me.
É uma realidade um pouco diferente.
Vejo que embora me encontre um pouco cansada,
eu ainda conservo traços da juventude.
Analiso-me mais detalhadamente
e percebo que quando penso em você,
eu fico mais jovem, mais bonita...
Fico mais cheia de vida...
Noto, pelo brilho intenso que fica em meu olhar...
Numa expressão de felicidade,
como num anti-gozo do amor a se realizar.
Eu não posso negar o quanto amo você.
Está escrito nas estrelas...
No livro da minha vida...
Na minha alma apaixonada,
que guarda sua imagem inalterada,
para quando a saudade, como hoje,
bater, querendo rever o livro da vida,
encontrar as imagens reais do que fomos,
do que não somos e do que seremos.
Percebo então, que não envelheci.
Minha alma é quem amadureceu,
afim de conservar inalterável,
a nossa história de amor

Em 1987, é editada a biografia oficial de Amália, Amália – Uma biografia, por Vítor Pavão dos Santos, director do Museu Nacional do Teatro, jornalista e talvez o maior admirador de Amália em território português. O primeiro CD de Amália é editado em Portugal: Sucessos, uma compilação concebida originalmente para o mercado internacional, e que apenas ficará em catálogo até se iniciar a transferência para CD dos vários álbuns de Amália. É também lançado neste ano, o triplo-álbum de luxo Coliseu 3 de Abril de 1987, que regista, na íntegra, o concerto de Amália no Coliseu de Lisboa naquela data. Obtém o Disco de Ouro e atinge o 13º lugar dos tops.

 
SERENANDO O CÉU
Sandra Lúcia Ceccon Perazzo
 
É nesse mar de amor
onde a pureza encontra com a inocência
onde a confiança dá a mão para o respeito 
que vou sereiando com os meus sonhos...
 
Nesse encontro das águas límpidas
do rio e do mar, envoltos pelas ilhas
serenando o céu com o verde esperança
que encontro com os meus ideais
 
Assim, vou fecundando o vento esperança
espalhando sorrisos de afeto
por entre a ilha de terra e de mar
em cumplicidade com o sol
 
Sinto o meu coração em cachoeira
em louvor a alma inocente da criança
jorrando amor, pura alegria
de viver e renascer
 
Canto o hino da fraternidade
conduzindo o barco ternura
suavizando as dores do mundo
com sonho bom em poesia
que revigora, que desafoga
o naufrágio no mar do coração
 
Nesse diálogo silêncioso
entrego a natureza e ao homem 
todo o meu tesouro
Assim vou mergulhando
na luz do céu refeltida no mar 
pois ainda sou muito pequena
para chegar às alturas
 
 Cá embaixo desse céu sereno
dentro da rebeldia do mar
É onde faço moradia
porque ainda é esse o meu lugar
Rogo a Deus
muita sabedoria
para alcançar
a grandeza da humildade
a paciência, a meiguice
a graça e o encanto
da simplicidade de AMAR
E quem sabe aí poder voar...

Em 1989, comemorando os 50 anos de carreira de Amália, a EMI-Valentim de Carvalho edita Amália 50 anos, uma colecção de oito duplos-álbuns ou CD´s temáticos agrupando muitas das gravações de Amália para a companhia, entre os quais várias raridades e gravações inéditas. Em Portugal , sobre o patrocínio do Presidente da Republica Mário Soares, de quem recebe a Ordem Militar de Santiago de Espada, as comemorações são um verdadeiro acontecimento a nível nacional. Festas, condecorações, exposições, tudo para Amália não é de mais. Estas festividades, prolongam-se numa grande tournée mundial.-LISBOA, MADRID, PARIS, ROMA, TEL AVIV, MACAU,TOKIO, RIO DE JANEIRO, NOVA IORQUE. Também nesse ano é recebida pelo Papa, no Vaticano, em audiência privada.

Ao sabor do Eça de Queiroz
(Inspirado no livro "A Relíquia")
  
  Pedro Valdoy
 
- O Teodorico não tem ninguém senão a titi...
É necessário dizer sempre que sim à titi...
- Sim, titi.
 
Num aperaltar duvidoso
Raposão pé na igreja
pé no pecado
da inocente Adélia
Saltava meio ingénuo
meio escabroso
de beijos na titi
de beijos ocultos
na folhagem de umas saias
 
O pérfido feito anjo
numa avidez de jovem
Anjo desnudado
num calafrio de religiosidades
na ignorância escabrosa
e santa de uma velha
sua tia vestida de santidade
no meio da padralhada
na felicidade de uma igreja
 
De barrete em riste
D. Raposo  Raposão
de alemão emplumado
lá vai para a sacrossanta Jerusalém
de pensamentos maldosos
de saias enraizadas
 
Maricoquinhas
a santa Mary
devota do Raposo
de saias enfeitiçadas
a D. Raposão se agarra
num desfilar de amores
na delícia  breve
de uma Terra Santa
 
Num regresso sonhador
de santos votos
à estronça titi
um desmiolado preservativo
num embrulho religioso
aparece
num adeus ao promissor
futuro do Raposo.
 
Em 1990 vê ser editado Obsessão, o primeiro álbum de material original e inédito de Amália em sete anos, composto por temas gravados durante o interregno.
É editada, em 1991, a cassete de vídeo Amália live in New York City registo do concerto no Town Hall de Novembro de 1990. Recebe do presidente francês, Georges Miterrand, a Legião de Honra.
Em 1992 é editado o CD Abbey Road 1952, que reúne a totalidade das primeiras gravações realizadas por Amália para a Valentim de Carvalho nos estúdios de Abbey Road em Londres.

 

"Flor Minha"

manuel (duarte) de sousa 

 

 

Quantas flores haverão no jardim

 

Quanta serão tão lindas

 

Quantas terão algo de profundo para contar

 

Quantas exalam o perfume desse olhar

 

Quantas hipnotizam insectos como eu

 

Quantas me dão a tranquilidade

 

Quantas me inspiram tanta paz

 

Quantas as que me oferecem do melhor pólen

 

Quantas as que me iluminam o coração

 

Quantas as que dão sabor ao meu mel

 

Quantas me deixam tonto

 

Quantas as que me fazem voltar para trás

 

Quantas as que fazem perder o norte da colmeia

 

Quantas me cantam ao ouvido

 

Quantas as que me afectam a alma

 

Quantas as que alumiam meu andar

 

Quantas as que me deixam sem jeito

 

Quantas existirão que fascinam assim

 

Quantas não haverão mais

 

Tu és a primeira

 

Tu és a última

 

Tu serás sempre aquela

 

Tu serás a eterna janela aberta

 

Tu, tu, tu...és a flor que desabrocha a cada momento meu...


Em 1995, é editada pela primeira vez em CD a compilação Estranha forma de Vida – O melhor de Amália, e a RTP transmite, ao longo de uma semana, a série documental "Amália – Uma Estranha Forma de Vida," cinco episódios de uma hora dirigidos por Bruno de Almeida, incluindo muitas imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal. Neste ano é ainda editado Pela primeira vez – Rio de Janeiro, CD que reúne as 16 gravações que Amália realizou no Rio de Janeiro em 1945 para a editora Continental. É a primeira edição oficial em CD destas gravações, há muitos anos indisponíveis em Portugal, restauradas digitalmente em Londres, nos estúdios de Abbey Road.

CANTO DA TERRA 
© Fernando Tanajura

  Escuto o canto da Terra
  a amadurecer em outras águas

  Brasas desnudam peles
  em frente às pedras resignadas
  como trapos
  a rolarem doridos,
  a engolir dores de dramas ocultos

  Mastigam a minha fome
  enquanto arautos
  anunciam uma canção sem vivência

  Ouço o urro surdo das medusas
  que vem do fundo do mundo
  misturando o vigor das loucuras cotidianas
  em cálices de pedras
  — outras paixões despenteadas
  aderem sigilos aos espinhos
  de raças desnudas

  Ao tempo que descubro o sal-gema
  do vácuo do mundo,
  entre o ranger dos ossos
  e a escuridão das noites,
  desencavo carretéis de estopas,
  redescobrindo o ônix,
  o rubi,
  a turmalina
  e o perfume das boninas

  Em círio quase-perfeito,
  junto meu ouvido ao chão
  — como imã —
  querendo escutar com gana
  a cadência do canto da Terra
 
 
Em 1997 é editado o seu ultimo álbum com gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975, Segredo. Também em 1997 ocorre o falecimento do marido de Amália, César Seabra, após 36 anos de casamento. Amália publica um livro de poemas "Versos" na editora Cotovia. Nova homenagem nacional na Feira Mundial de Lisboa Expo98.
Amália morre no dia 6/10/1999 em sua casa, na Rua de S. Bento, em Lisboa.

Triste Rio Tejo

José Ribeiro Zito e Maria Thereza Neves

(Portugal/Brasil-Poema a 4 mãos)

 

 

 bate as águas contra as margens

não ondula nem abre sorrisos ao cair do sol

há nevoeiro  no fundo dos seus poros

a tristeza cega os peixes esquecidos

as gaivotas não beijam mais a espuma 

ou brilham nas asas a cantar a liberdade

 

 

hoje ,apático,turvo

caminha na solidão sem esperanças

descolorido,em lágrimas,procura consolo no mar

sente-se um charco de águas esquecidas

a apodedrecer de saudade

dos carros apressados dos namorados

dos olhos apaixonados

 

Hoje não é mais o de outrora

nele navios carregados de aventuras e perdições

sozinho,fraco,vai morrendo sem destino

sem a lembranças dos heróis,da hístória

dos versos ,das cantigas com tranças azuis

perdeu a musa e a poesia no cais

*****

Pesquisa:
http://www.geocities.com/cecskater1/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal
http://www.zeliars.hpg.ig.com.br/poetas_portugueses.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia.php?c=951
 
Outubro/2006
TTNeves e Rivkah